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Câmbio: mudar patamar do preço “na marra” é diretriz errática e ultrapassada!

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A política de governo, a partir do Ministério da Economia e cumprimento pelo Banco Central do Brasil, é na realidade uma nova tentativa de “reinventar a roda”, pois se trata de política que guarda semelhança com a já executada no Brasil, na questão cambial, à época do então Ministro Delfim Neto.

Delfim buscou dar “competitividade” a ineficiente indústria nacional no mercado externo com o aviltamento da taxa, à época administrada, e não logrou sucesso visto que faltavam as nossos produtos, a exemplo do que perdura hoje, valor agregado devido a baixa tecnologia dos mesmos, talvez com exceção da Embraer.

O mundo não era globalizado como na atualidade e havia pouca transparência até na formação das taxas das moedas e o Brasil tinha uma participação muitíssima modesta no comércio exterior, sendo um exportador basicamente agrícola.

Foi um insucesso! A competitividade é formada por outros elementos mais relevantes!

Atualmente, a utilização de preços artificiais de moedas é facilmente detectada no mundo globalizado e punida com discriminação nas relações comerciais, havendo organismos aos quais são denunciadas as más práticas.

Há por parte deste governo o intuito claro em mudar o patamar do preço da moeda americana no mercado de câmbio brasileiro conjugando-a com uma política de juros baixos, com o claro intuito, na primeira leitura, de incentivar os investimentos no nosso setor produtivo e viabilizar a inserção do mesmo no mercado internacional com o “input” da taxa cambial depreciada para prover nossos exportadores de competitividade.

Bom lembrar que o maior exemplo desta prática nefasta é a China, que, contudo, já não consegue dar curso a esta estratégia nos tempos atuais, haja vista o embate recente sino-americano e suas repercussões na economia global.

Naturalmente, o governo tem outros objetivos implícitos com a queda do juro e o câmbio com preço alto que envolvem benefícios para o carregamento a dívida pública e valorização do estoque de reservas cambiais, já que tem demonstrado interesse em reduzi-las e isto é redutor do montante da dívida pública, etc.....

Objetiva “superar” o estigma de que o Brasil é um país “caro”, seja na Bovespa, seja para investimentos na infraestrutura no momento que idealiza o programa de privatizações, pois o câmbio distorcido mitiga, em tese, esta assertiva.

Enfim, o fato é que elevar substantivamente o preço da moeda americana é política aberta e declarada deste governo como estratégia de gestão, mas isto é difícil de fazer sem a percepção clara, interna e externa, da artificialização visto que o país, a despeito do enorme fluxo de capitais especulativos que deixou o país em 2019 afugentados pela queda do juro, manteve a taxa na virada do ano em R$ 4,01, ancorada no soberbo montante de reservas cambiais que é mantida pelo país.

Não dá para mudar o preço do câmbio “na marra”, o mundo globalizado hoje é vigilante a esta prática, e isto certamente gerará retaliações dos concorrentes por todos meios possíveis, provavelmente a partir dos Estados Unidos, tido como nosso aliado, “pero no mucho” na concorrência comercial.

No fundo a clareza desta prática, até mais evidente neste período inicial de fevereiro quando o fluxo cambial demonstra-se positivo em mais de US$ 3,0 Bi, promove mais insegurança e incertezas do que estímulos, e acaba sendo aproveitado pela especulação que “nada de braçadas” puxando o preço no mercado futuro mesmo quando, como mencionado o fluxo cambial de fevereiro, fatores apontam tecnicamente para uma apreciação do real, o que contraria a tese prevalecente e defensiva do governo de que o “câmbio é flutuante”, que virá outra falácia.

Dias atrás, mencionamos que deveria agir com a oferta de swaps cambiais tradicionais novos para conter o movimento especulativo instalado a partir do mercado futuro e assim a alta atípica, até porque não havia pressão de demanda no mercado à vista, que revelava melhora de fluxo cambial.

Não o fez, porém ontem parece que houve certo pânico com a alta conduzindo o preço acima de R$ 4,38, provavelmente motivado pelo tom e conteúdo do discurso do Ministro da Economia a véspera, e então o BC finalmente realizou leilão de 20.000 contratos de swaps cambiais tradicionais.

A manutenção contumaz deste discurso de “juro baixo câmbio alto” e estimulante à especulação e se perder o controle da intensidade e agravamento da alta, não tardarão os impactos inflacionários inevitáveis.

A tese de “juro baixo câmbio alto” pode até vir a prevalecer de forma gradual e evidentemente mais equânime com o “status quo” do país com o tempo, mas não “na marra” impactando fortemente nas decisões empresariais, pois como dissemos gera mais insegurança pela forma abrupta que está sendo induzida do que estímulos.

Afinal que grau de convicção há para desconsiderar que o dólar a R$ 4,00 já não pode ser considerado alto para o juro SELIC de 4,25% referencial que é figurativa numa economia que o pratica em patamar bem acima?

O governo precisa acentuar o foco na reforma tributária, isto sim, agir para deprimir o custo Brasil, que é efetivamente o que tira competitividade do produto brasileiro e incentivar a incorporação de valor agregado aos nossos produtos, tecnologia, política séria e consistente e não ficar adotando estratégias que visam manter o “status quo” inalterado com a compensação errática da artificialização do preço da moeda americana no nosso mercado.

O mote correto a ser adotado e perseguido é: “juro baixo e custo Brasil baixo”, isto sim é receita de sucesso duradouro! 


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO 

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