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O “novo normal” do câmbio é só metáfora, pois o preço não deve ser inflacionário!

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O Ministro Guedes ante a pressão sobre a formação do preço da moeda americana no nosso mercado, quase inexplicável para um país que detém enorme volume de reservas cambiais e instrumentos operacionais adequados para a autoridade monetária atuar e intervir eliminando a disfuncionalidade eventual, vale-se da metáfora do “juro baixo câmbio alto”, como se fossemos um mercado inteiramente livre.

Todos sabem que não é bem assim, somos um país emergente em situação confortável devido ao fato em que em momentos antecedentes tivemos um “boom” nas commodities que são a base das nossas exportações, e com aumento substantivo da Dívida Pública acumulamos reservas cambiais em montante relevante e quase atípico nos países emergentes.

O preço do dólar exacerbado pode ajudar as exportações e destas irradiar reflexos inflacionários aviltando preços na economia interna, da mesma forma que encarece os produtos e insumos importados.

O câmbio é o segmento que sensibiliza com rapidez os preços relativos da economia e o que emite sinais perceptíveis que contaminam a formação de preços da nossa economia.

Se o câmbio se eleva demasiadamente, até o preço do engraxate do centro de São Paulo repercute de imediato.

A metáfora não inibe ou desacredita o fato de ter se tornado perceptível que pode ter havido uma formatação imperfeita de intervenção da autoridade monetária no mercado cambial, e que consumiu 10% das reservas cambiais do país sem alcançar o objetivo de equacionar o volume de oferta faltante no mercado dada a queda do fluxo e, ao mesmo tempo, equacionar o preço do câmbio a patamares de equilíbrio.

Afinal, voltando a metáfora do “juro baixo dólar alto”, o quão alto precisa ser o preço da moeda americana para que não crie disfunção também nos preços relativos da economia, esta é a questão e poderá ter respostas diversas na medida em que a atividade econômica ganhe tração.

O Brasil foca a perspectiva de curto prazo até com a possibilidade de que possa ser mais uma vez reduzida a taxa SELIC, mas é preciso não desconsiderar que já nesta fase em que a economia brasileira se mostra mais profícua em sua atividade, como pontuado pelos dados do 3º trimestre de 2019, a sensibilização da alta do dólar no nível de preços poderá, também, ocorrer de forma mais intensa.

Certamente o BC convive neste momento com severa indecisão sobre o que e como agir no mercado de câmbio, já que a expectativa predominante ao final do ano de que janeiro seria pródigo em fluxos cambiais favoráveis e impacto direto na Bovespa parece não se confirmar de pronto, e poderá demorar mais do que o esperado.

Estariam os investidores estrangeiros, sem os quais a Bovespa não terá somente com o investidor nacional capacidade de alavancar mais fortemente as valorizações das ações, esperando agora atos mais concretos por parte do governo na continuidade das reformas, agora tributária e administrativa, sem perder de vista o programa de privatizações?

O cenário externo está calmo, o Brasil ostenta um CDS de 97 pontos e até o FMI o vê melhor do que a média do desempenho de grande parte dos países em 2020, então o que falta é o Brasil dar mostras de que vai agir de forma rápida e contundente nos ajustes que faltam das reformas.

Contudo, com a formação do preço da moeda americana “solta” à disposição dos especuladores, o mercado fomenta sentimento e sinais negativos para os quais não se encontram justificativas reais, mas que são desalentadoras porque é um fato que logo se generaliza pelo noticiário midiático.

Afinal, dos 12 meses do ano já estamos perdendo um e isto é importante para um país que pretende crescer de 2,5% a 3,0% neste ano.

O BC precisa intervir de forma simples, só ofertando dólares à vista para por “ordem na casa”.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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