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Mercado global retrocedendo da euforia para a cautela de forma prematura?

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Já são perceptíveis os sinais iniciais de reversão das expectativas exageradas atribuídas ao encontro China-Estados Unidos para o início de outubro, e a trajetória já sinaliza mudanças de posturas se afastando da euforia e assumindo cautela, retorno da sensatez, e isto pode provocar forte desapontamento no comportamento do mercado global, na medida em que se acentue de forma mais concreta.

Os riscos de eventual insucesso no encontro foram menosprezados no primeiro momento, ensejando a ocorrência de forte distensão dos mercados contidos pelas incertezas em torno do embate China-USA, aliviando o estresse presente, mas que, gradativamente, pode estar se revelando precipitado e excessivo.

Uma “meia volta volver” pode deixar muitos desapontamentos e “estragos” na trajetória reversiva, pois a euforia foi grande a ponto de mitigar os posicionamentos defensivos, reduzindo a aversão ao risco, tão presente agora quanto dantes, mas haverá um preço elevado a ser pago.

Os danos à economia global deste confronto China-USA são tantos que é difícil enumerá-los pontualmente e detalhadamente, mas há efeitos deletérios em quase todas as economias sem exceção e, momentaneamente, pode proporcionar vantagens para uns em detrimentos de outros, mas nada que seja duradouro. Na realidade todos sairão perdendo, uns menos outros mais.

O Brasil segue com sua atratividade em baixa e com isto não catalisa fluxos de investimentos externos, a despeito de conviver com um ambiente interno positivo em indicadores fundamentais como inflação e juros baixos, mas que tem no lado oposto fluxo cambial desfavorável que impacta na liquidez do mercado de câmbio à vista, e que impõe que o BC promova intervenção no mercado com oferta de moeda efetiva das reservas cambiais brasileira.

Não há risco de crise cambial, absolutamente, o país detém soberbas reservas cambiais, mas o fluxo cambial insuficiente é um fato novo no contexto brasileiro, que coincide com juro baixo e inflação baixa, que sugere que a taxa SELIC seja drasticamente reduzida.

Ocorre então outro fator inusitado, nossa taxa de juro está muito próxima da taxa de juro americana, isto praticamente impede as operações de “carry trade” que forjariam recursos especulativos para o país, e então há o risco de disfuncionalidades no comportamento da formação de taxa do cupom cambial.

O BC pontualmente e corretamente intervém suprindo o mercado à vista com liquidez, talvez devesse ser imprevisível e não programático, mas ao mesmo tempo intervém ofertando swaps cambiais reversos, que equivale tecnicamente por ser um derivativo, a uma compra de dólares no mercado futuro.

Como no Brasil, o “rabo balança o cachorro”, ou seja, o mercado futuro é o formador da taxa cambial e contamina o mercado à vista, o que se entende é que o BC tem a intenção de dar liquidez no mercado à vista, mas sem ter o objetivo de apreciar o real frente ao dólar, muito pelo contrário, age para depreciar a moeda local frente a moeda americana.

Naturalmente, o BC jamais iria admitir isto, mas é plausível a ilação de que com esta ação tenha dois objetivos.

O primeiro é dar incentivo às exportações do agronegócio que tem seus preços deprimidos no mercado internacional sempre que o dólar se valoriza no mercado internacional, e assim induzindo “um plus” a mais no preço do câmbio incentiva e dá competitividade às exportações, buscando melhorar o fluxo cambial pelo segmento possível.

Em segundo, mantendo a taxa cambial mais elevada neutraliza as projeções de variação cambial mais aguda que em conjunto com as taxa de juros compõe o custo do cupom cambial, que se apresentar distorções provindas de pressões acaba por criar disfuncionalidades no mercado de câmbio ao aviltar a taxa de câmbio “spot”.

Assim, grosseiramente explicando “mata dois coelhos com uma cajadada só”, e neste momento de atipicidades no mercado global, o jogo precisa ser jogado da forma mais conveniente e com foco.

Acreditamos que com esta estratégia “não assumida” gere liquidez no mercado à vista e, ao mesmo tempo, ancore a taxa cambial elevada com a ação no mercado futuro mitigando a projeção da variação cambial na formação do custo do cupom cambial e possa ter condições de reduzir a taxa SELIC mesmo que isto provoque maior proximidade com a taxa de juro americana, evitando a ocorrência de disfuncionalidade.

É preciso observar também o comportamento do yuan frente ao dólar, pois a desvalorização da moeda chinesa pode gerar “irritações” destemperadas do Presidente Trump e já surgir algum desconforto, já que, desta vez, ainda que ocorra um corte na taxa de juro pelo FED os efeitos de enfraquecimento do dólar deverão ser menores do que o esperado visto a possível retomada de postura defensiva por parte dos mercados, após a euforia com o anunciado encontro futuro entre China e Estados Unidos, deve dar sustentabilidade a moeda americana.

Há no cenário prospectivo de curto prazo forte movimentação e expectativas em torno das ações/medidas dos Bancos centrais de inúmeros países e comunidades, num movimento claro de busca de ajustes face à situação complexa presente no cenário global e este fato pode ter repercussões.

Atualmente, cada dia é cada dia, não há tendências, por isso a observação deve ser permanente.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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