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Otimismo exacerbado ignora os riscos de não avanços na reunião futura China-USA!

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Temos enfatizado que a repercussão em torno da programada nova reunião entre China e Estados Unidos, em Washington, no mês de outubro, que sinaliza a suposição da possibilidade de distensão no embate comercial acirrado entre aqueles países, vem causando reações nos mercados financeiros globais muito mais intensas do que o razoável perante um evento que, também, trás o risco de não avanços.

Há, afora o problema que é o epicentro dos impactos de retrocesso no crescimento global, uma série de perturbações causadas em inúmeras economias também importantes, com ênfase as da União Europeia, com destaque maior para a Alemanha, afora a controversa situação da Inglaterra em torno do Brexit, face a postura de Boris Johnson que deseja que o assunto seja resolvido até 31 de outubro próximo.

Há euforia, mas na realidade há muita expectativa sobre que atitudes adotarão os BC´s das principais economias, focando o estimulo a dinamização de suas atividades.

Na China, que registrou balança comercial fraca em agosto, com queda expressiva de 16% nos negócios de exportação com o Estados Unidos, há muita curiosidade se não buscará pela depreciação do yuan o estimulo às suas exportações.

Na União Europeia é aguardada manifestação do BCE com novo pacote de estímulos.

Nos Estados Unidos haverá reunião do FED dia 18 e, por enquanto, há sinais de que poderá ocorrer corte de 0,25% na taxa de juro americana, embora Powell, Presidente do FED, afirme que não trabalha com perspectiva de recessão na economia americana.

Enfim, o cenário global enseja muita expectativa, incertezas e poucas convicções fundamentadas sobre as perspectivas.

Num cenário de insegurança o dólar havia se configurado fortalecido pela demanda defensiva dos demais países, juntamente com o yen, franco suíço e ouro, mas, com o atual otimismo, embora sem fundamentos sustentáveis concretos, teve atenuado o seu fortalecimento e, em especial, permitiu que as moedas emergentes recuperassem parcialmente suas relações paritárias.

O Brasil que enfrenta momento desfavorável para a retomada da atividade econômica, embora avance nas reformas imprescindíveis, há reflexos no fluxo cambial, drasticamente reduzido em termos líquidos a mais de US$ 30,0 Bi ao longo dos últimos 12 meses, com ênfase no fluxo comercial que representa 70% deste decréscimo, que impõe ao BC a necessidade de suprimento efetivo, ainda que parcial, com vendas de moeda à vista sacadas das reservas cambiais, num procedimento correto já que lhe cabe prover a liquidez do mercado cambial quando não suficiente, da mesma forma que retira a liquidez excessiva e as acumula como reserva quando isto ocorre.

Mas, a problemática brasileira não se resume a isto, tendo em vista que prepondera a visão de economia claudicante e sem perspectivas melhores no curto prazo para o país, e até como consequência, neutraliza sua atratividade ao capital estrangeiro, embora tenha perspectiva de inflação abaixo do seu perfil normal projetada no entorno de 3,54% pelo Boletim Focus, com juro SELIC com projeção de redução para 5%, e detenha excelente CDS de 123,2 pontos.

Em termos de Brasil, o ambiente congrega atipicidades.

Então, face o “status quo” da sua atividade econômica e do juro baixo praticamente neutraliza fluxos de capitais estrangeiros, até mesmo os de caráter especulativo, já que inviabiliza a montagem de operações de “carry trade”, e desta forma torna incipiente as perspectivas efetivas de incremento de fluxos cambiais para o país e, compromete as perspectivas para a Bovespa.

O real parece estar sobrevalorizado frente ao dólar, afinal o pais tem carência de fluxo cambial no momento, mas dispõe de soberbas reservas cambiais, o que o torna imune a crise cambial e a qualquer descrédito nesta área.

Temos entendido que a ação do BC vendendo moeda efetiva para suprir a queda do fluxo cambial tem sido correta, mas temos observado a eventualidade da combinação com a concomitância de oferta de swaps cambiais reversos como estratégia direta de manter o preço da moeda americana acima do seu ponto de equilíbrio e compatibilidade.

Nossa leitura tem sido que o BC pode estar buscando ofertar uma taxa cambial melhor para os exportadores, preferencialmente aos produtores de commodities, tendo em vista que quando o dólar fica forte no exterior os preços das mesmas sofrem depreciação, e que há neste momento oportunidades interessantes de incremento de vendas face ao embate comercial China-USA, e estimulando assim o agronegócio que não teve desempenho satisfatório na apuração do mais recente PIB e também buscando, desta forma, recuperar o fluxo cambial comercial que teve queda nos últimos 12 meses de mais de US$ 22,0 Bi.

Seria, sem manifestações a respeito, atitude do BC visando aumentar a remuneração ao setor das commodities e assim dando-lhe competitividade a partir do preço da moeda nacional, sem que se perca de vista que na margem potencializa todos os demais produtos exportáveis do Brasil.

O BC, além desta ação no câmbio, tem demonstrado convicção de corte da taxa SELIC na próxima reunião, mas dólar alto é tido como fator inibidor a esta decisão, da mesma forma que merece observação sobre a decisão que o FED adotará sobre o juro americano, pois pode haver reflexos no mercado de cupom cambial face ao estreitamento do intervalo entre o juro interno e externo, e isto repercutir de forma mais intensa depreciando o real.

Enfim, há um efetivo risco de otimismo reversivo a pessimismo se houver desapontamento, antes ou ao longo das reuniões entre China-USA, mas há no cenário global muitas incertezas e ajustes em andamento, razão pela qual consideramos preocupante a intensidade do otimismo presente, desde que não há fundamentos concretos.

O dólar no mercado nacional poderá retornar a R$ 4,15 ou mesmo retroceder, consideramos que R$ 0,15 é um agregado adicional no preço causado pela estratégia do BC de ancorar o preço acima do parâmetro de normalidade com a oferta de swaps cambiais reversos, já que nos parece que o preço de equilíbrio atualmente estaria mais próximo de R$ 3,90/R$ 4,00.

O Boletim FOCUS projeta o dólar para o final do ano em R$ 3,85, o que nos parece otimista demais, mesmo que o BC deixe de ofertar swaps cambiais reversos, pois há poucas possibilidades de recuperação robusta do fluxo cambial para o país, acreditamos, até o final do ano, o que manterá o BC de “prontidão” para intervenções além da programada para suprir fluxo cambial a vista.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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