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Câmbio, ambiente poderá ficar complexo, mesmo com a reforma aprovada!

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Todos sabem que a Reforma da Previdência tem relevância considerável na mitigação dos riscos presentes de agravamento da crise fiscal do país, mas no meio da euforia aflora a percepção que suas benesses imediatas que sugerem a retomada da atividade econômica, transfigurando-a como promotora de todas as iniciativas neste sentido, podem estar exacerbadas.

A reforma permite ao governo equacionar a crise fiscal, melhora o conceito do país que está neste momento com o excelente CDS de 135,9 pontos, mas não é bastante para garantia de que, ante a incapacidade governamental de realizar investimentos, o setor privado assuma o papel preponderante imediato de incrementar os investimentos no setor produtivo, essencial para a retomada, até porque há uma capacidade ociosa ainda expressiva na economia e as projeções mais recentes colocam no crescimento do PIB deste ano viés cada vez mais decadente o que é inclusive ratificado pelo governo, e as perspectivas são de economia estagnada no 2º semestre.

E muito menos que o investidor estrangeiro reaja imediatamente ante ausência de motivações consistentes no país, e isto afeta diretamente o mercado de câmbio que vem revelando uma tendência consistente de fluxo cambial negativo.

Reforma da previdência aprovada e fluxo cambial negativo como tendência não resulta boa combinação.

O fluxo cambial negativo no ano atinge US$ 5,763 Bi (positivo em US$ 24,560 Bi mesmo período em 2018), resultante de positivos US$ 9,854 Bi no comercial (US$ 30,089 Bi mesmo período em 2018) e negativos US$ 15,617 Bi no financeiro (US$ 5,529 Bi mesmo período em 2018).

O contexto é absolutamente contrário neste ano em relação a 2018.

Os bancos estão operando com posições vendidas (a descoberto) de US$ 31,508 Bi, das quais em torno de US$ 14,0 Bi estão financiadas por operações de empréstimos em moedas estrangeiras com recompra pelo BC e a diferença de US$ 17,0 Bi por linhas de bancos estrangeiros.

Com as perspectivas para o segundo semestre, a despeito da Reforma da Previdência, não se espera com as projeções postas economicamente para o ano que haja incremento de investimentos estrangeiros para o país, portanto ingresso de recursos estrangeiros.

As linhas externas para os bancos financiarem suas posições descobertas, que envolvem operações de cupom cambial, já não estão tão imediatamente acessíveis e baratas para os banqueiros brasileiros e a diferença de juro interno e externo está estreita, então há impactos no custo do cupom cambial com ausência de fluxo cambial suficiente que reflete em pressão consequente na taxa do mercado à vista.

Se não houver mudança na dinâmica do fluxo cambial para o Brasil e houver qualquer sinalização de aversão que motive pressão de demanda no mercado à vista, a taxa cambial sofrerá reflexo imediato e assumirá o viés de alta com a elevação do custo do cupom cambial.

Então, para apagar o “incêndio”, a disfuncionalidade do mercado à vista, o BC poderá ser levado a ter que intervir ofertando moeda efetiva das reservas cambiais para suprir a liquidez (o que não faz desde 2009) e não mais linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra.

E ainda, se o custo do cupom cambial se elevar de forma consistente, o BC poderá até deixar de rolar os contratos de swaps cambiais vincendos, atualmente com estoque em torno de US$ 70,0 Bi, e ofertar, também, dólares moeda efetivos.

Porém, embora tecnicamente compreensível, como seria entendido este movimento novo por parte do Banco Central do Brasil?

Haveria naturalmente o risco do mal entendido e logo surgir a imaginação de que o país estaria sofrendo fuga de capitais e isto, se não bem explicado e entendido, poderia causar efeitos danosos.

Fica claro então que idealmente é fundamental e imperativo ao país obter fluxo cambial positivo, revertendo o quadro atual, e tudo indica que o quadro não é atraente para as operações de carry trade, pois com a diferença de juros interno e externo é pequena e o custo do cupom cambial alto tende a inviabilizar estas operações.

Neste caso eventual queda da taxa SELIC poderia ter que ser retardada, o que contraria as expectativas presente, indo de forma contrária à tendência de corte do juro americano pelo FED como sinalizado ontem por seu Presidente.

Para que a taxa de câmbio possa ficar no entorno de R$ 3,75, ou melhor, não basta somente a aprovação da Reforma da Previdência, mas há muito mais do que simplesmente este fato para haver sustentabilidade, pois o fluxo cambial negativo tornou-se um fato novo perverso.

Este contexto deixa evidente de como foi danosa a demora na tramitação da Reforma da Previdência, pois paralisou a dinâmica econômica do país e sua atratividade, por ter sido subjugada ao ambiente político.

Ao longo deste ano sempre preconizamos projeção do dólar para o final do ano em R$ 3,75, mas neste momento entendemos que este patamar pode não ser sustentável e evidenciar-se volátil.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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