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USA-China, USA-Irã e Venezuela, Brasil e seus enormes problemas, o que pesa aqui?

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Pelo que se ouve e se lê percebe-se que há uma superlativação do confronto comercial entre China e Estados Unidos, e a este fato se atribui peso exagerado de influência no mau momento brasileiro, em especial no comportamento do mercado financeiro.

Torna-se relevante que se coloque a pergunta:

- Qual é o impacto efetivo da crise comercial sino-americana no Brasil? Qual ou quais? Pontuem itens a itens!

Em contraposição “pegam leve” no peso da catastrófica situação interna envolvida em um conturbado ambiente de disputas políticas de interesses que não os do Brasil e revezes jurídicos, numa desordem na convivência entre os poderes, que acaba por tirar o foco que deveria estar totalmente centrado na dinâmica de discussão objetiva e aprovação da Reforma da Previdência, parecendo mesmo que “ainda não tenha caído a ficha” de que sem a reforma o país estará fadado à estagnação e ao retrocesso.

A rigor, no curto prazo o Brasil é beneficiário nas exportações de commodities e carnes, em detrimento dos produtos concorrentes americanos, razão pela qual os agricultores americanos estão pressionando o Presidente Trump, que já sinaliza com ajuda para conter os ânimos.

China e Estados Unidos são nossos parceiros e concorrentes, enquanto discordam entre si seremos favorecidos, razão pela qual não há como reagir negativamente, no curto prazo, mas naturalmente quando chegarem a bom termo, e se chegarem, aí sim será afetada nossa pauta exportadora.

Naturalmente, a economia mundial, considerada a dimensão de ambas as economias, têm seus temores pelo grau de dependência e redução de volumes, havendo impactos pontuais e também gerais, mas nada que, por exemplo, afete ainda a dinâmica de crescimento da economia americana, salvo a questão dos agricultores.

Estados Unidos tem uma economia interna forte, e o Brasil também, o que não ocorre rigorosamente com a China que é dependente das exportações, mas tem reservas cambiais de trilhões que tem relevância no financiamento da dívida americana.

Atribuir as nossas mazelas “sempre aos efeitos externos” era uma tática do ex-Ministro Mantega para desviar as atenções do caos em que estava o Brasil, e isto parece que agora estar se repetindo, mas por parte dos analistas e não por parte do governo.

No nosso entender, merece muito maior precaução neste momento às consequências que poderão advir do confronto USA-IRÃ que poderá afetar o mercado internacional de petróleo e seus parâmetros de preço, o mesmo ocorrendo numa eventual ação mais efetiva de intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, cujo efeito no petróleo também poderia ser relevante.

Em ambas as circunstâncias naturalmente o preço do petróleo “explodiria” no mercado internacional e o Brasil sofreria forte impacto por ter o seu modal de transportes em quase 70% rodoviário, o que afetaria como consequência do aumento dos fretes todos os preços relativos da nossa economia, agravando ainda mais o quadro desanimador da nossa economia.

Evidentemente, não é o caso de se considerar um evento menor o embate sino-americano, mas é absolutamente necessário que se dê ao mesmo a efetiva dimensão de impacto negativo na economia brasileira no momento, pois há inúmeros pontos de benefícios no curto prazo.

Então, numa visão mais crítica, assertiva e rigorosa não é difícil concluir que os males que afetam o Brasil são oriundos do Brasil mesmo, que tem um grave desarranjo no convívio entre os poderes, com intromissões recíprocas e inoportunas, prosperando a discussão de pontos secundários em detrimento do que é o mais importante e imediato.

Enfim, faltam foco e preponderância do interesse nacional maior.

Este quadro nefasto em que já se vislumbra recessão econômica, com confiáveis perspectivas de PIB negativo no 1º trimestre deste ano e decadente das projeções iniciais de 2,8% para este ano para ínfimo 1%, é fruto dos problemas internos e nada tem a ver com o que ocorre no cenário global, visto que neste momento, envolvido em perspectivas incertas e consideradas binária, o Brasil não é protagonista da cena mundial, estando “cercado e envolvido” numa redoma constituída pelos seus próprios problemas.

A economia está inerte, não há investimentos de nacionais e nem de estrangeiros, o desemprego prospera e o consumo e a renda são decadentes. Há desalento.

É relevante que a inflação esteja sob controle, até porque a inércia da economia contribui para tanto, mas é bastante improvável que o COPOM venha a reduzir a taxa SELIC para estimular a atividade econômica, visto que esta não deve ser uma solução de estímulo neste momento, pois tudo está dependendo da aprovação da Reforma da Previdência. Alcançado este objetivo não se pode descartar a hipótese de redução do juro.

Por enquanto, o juro no mercado financeiro poderá sofrer especulação visto que o temor que advém de eventual não aprovação da Reforma da Previdência e a capacidade de liquidez do governo, visto que a crise fiscal é severa.

A BOVESPA sofre no momento de desalento, pois conviveu com expectativas as mais alvissareiras com projeções dantescas, mas que eram dependentes de solução da crise fiscal do país esperada com solução mais breve e objetiva da Reforma da Previdência, abrindo espaço para as demais reformas. A BOVESPA depende da dinâmica aguda da atividade econômica do país para fortalecer suas perspectivas, e, adicionalmente da presença dos investidores estrangeiros, que este ano estão retraídos, observando o que o país resolverá para superar a sua crise fiscal, sendo o foco atual a reforma da Previdência, não sem considerar os contratempos intranquilizadores entre os poderes constituídos.

Acreditamos que a queda do índice BOVESPA tenha ido um pouco além do razoável, por isso deve acentuar discreta reação, sem grande alarde.

O CÂMBIO está notoriamente num ambiente de forte especulação, fato que é evitado pelos analistas que preferem atribuir a fatores externos e não apontar a causa efetiva, mas que na realidade ocorre mais pela tradição no Brasil do que pela razão, visto que de todos os segmentos do mercado financeiro é o mais sólido e onde o país está plenamente defendido e sem vulnerabilidades, com contas externas em ordem, reservas cambiais soberbas, e o BC dispondo de estratégias operacionais adequadas para suprir eventuais demandas no mercado à vista e/ou futuro.

O CÂMBIO com preço aviltado não tem fundamentos e nem sustentabilidade no Brasil, por isso o BC corretamente não intervém a despeito de, por vezes, ser erroneamente criticado, mas num ambiente especulativo não cabe a autoridade intervir, até porque ocorre tudo no mercado futuro e por parte dos investidores estrangeiros comprados, já que no mercado físico não há fluxo e nem pressão condizente que justifique as taxas praticadas no momento.

A especulação sobre o câmbio é nefasta para o país por determinar encarecimento do petróleo, afora outros produtos, e onerar o custo dos transportes.

No nosso entender apostar contra o real neste momento é especulação de altíssimo risco, pois ainda que a resultante não seja a Reforma da Previdência necessária e desejada, ela será aprovada e este fato tirará a falsa pressão sobre o preço que é forjado na perspectiva do caos.

O BRASIL, ou melhor, os que o analisam precisam ter maior foco nos próprios problemas brasileiros e deixar de lado a tradicional técnica do ex-Ministro Mantega, que atribuía sempre tudo de ruim que aqui acontecia as causas externas. Com postura mais assertiva e realista poderiam dar efetiva noção das consequências ao país, decorrentes da protelação da tramitação e aprovação da Reforma da Previdência.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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