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Mercado: tensão suprime sensatez e acentua contexto binário das perspectivas!

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Há a clara percepção crescente de que “existe um Brasil que conspira contra os interesses primordiais do Brasil”, e isto está irradiado na economia, na política e no judiciário, passando a afetar o ambiente de otimismo e tendendo à perplexidade generalizada, onde ficam fragilizadas todas as perspectivas e projeções, fato que é preocupante.

O governo deixa evidente, cada vez mais, que não detém recursos para ancorar políticas de desenvolvimento recuperatório do estado deletério da atividade econômica, e com isto acaba disseminando um crescente sentimento de perda de otimismo de forma generalizada ao revelar-se absolutamente impotente, face à situação fiscal, para “virar o jogo” da inércia.

Politicamente há um descompassado imbróglio em que parece que o que menos interessa são os efetivos interesses emergenciais do país.

E, o judiciário persiste em atitudes que perturbam o sentimento de ordenamento legal, criando muitos ruídos preocupantes.

Enfim, as perspectivas para o país ficam cada vez mais inseguras, há o agravamento do contexto binário presente sobre as expectativas, e isto provoca a quase nulidade das projeções que são postas para o país neste 2019, pois há muitas dúvidas e incertezas.

Então, quando se projeta crescimento do país só há uma direção, ou seja, a retração contínua das expectativas de crescimento, PIB cada vez menor, e isto motiva o não investimento e reduz drasticamente as previsões arrecadatórias do governo, assim como as para retomada do emprego, renda e consumo.

Há uma visão cada vez mais apática a respeito das perspectivas para 2019.

Na política emana a percepção de que o que menos interessa é o interesse nacional, não há foco centrado no trato urgente das questões fundamentais para que o país saia do marasmo em que está estacionado, havendo muitas “sensibilidades”, “picuinhas” e “egos inflados”, um noviciado preocupante tanto de parte do Congresso quanto do Governo, e assim há um entrave agravado pela articulação deficiente e não contributiva para os avanços.

No judiciário ocorre um sentimento de preocupação crescente da população, o que é prejudicial principalmente quando emanam ruídos. O futebol nos ensina que “o bom juiz é aquele seguro e que não aparece durante o jogo”.

Este ambiente desassociado, um tanto confuso e ambíguo, faz com que o desenvolvimento do país fique à mercê de decisões políticas, que a rigor vem sendo proteladas e assim há um sentimento de estagnação.

As projeções que são projetadas para o país tornam-se cada vez mais inseguras e carentes de sustentabilidade, na realidade devem ser muito relativizadas.

Ainda bem que a inflação se mantém em patamares ainda confortáveis, e, face à inércia da atividade econômica tem baixa capacidade de impulsão, o que não pressiona a necessidade de taxa SELIC mais elevada.

No câmbio, a despeito do movimento com conteúdo especulativo ancorado mais na tradição do que no fundamento atual, o país tem um quadro de conforto com base no equilíbrio das contas externas, déficit em transações correntes em níveis ainda satisfatórios, reservas substantivas e com o BC dispondo de instrumentos operacionais adequados para suprir quaisquer pressões de demandas, o que ainda não ocorre visto que não há fuga de capitais do país, sendo notório, contudo, a retração do fluxo de ingressos.

Então, na realidade com pequenas mutações o que ocorre é a repetência do cenário diário com pequenas variações e volatilidade, com o dólar na faixa de R$ 3,85, quando há forte convicção de que este preço é insustentável e que deve retroagir gradualmente para R$ 3,70 a R$ 3,75 devido não haver risco de crise cambial, e, a Bovespa indo até as proximidades dos 100 mil pontos, não o superando, retroagindo por razões pontuais, mas totalmente dependente da retomada do fluxo de investimentos externos, que poderá ocorrer dependendo do andamento da Reforma da Previdência, mas mesmo assim em volume bem aquém das projeções antecedentes.

Os efetivos e reais impactos do ambiente externo são absolutamente relativos, muito usados como pano de fundo para justificar este ou aquele movimento, mas o fato concreto é que o país neste momento não é protagonista no contexto global, estando restrito às suas próprias mazelas internas.

Então, assim tudo caminha na linha do “random walk”, o preço de hoje é igual ao de ontem mais o impacto do fato novo de hoje, mas fundamentalmente as abordagens econômicas e suas perspectivas/projeções perdem espaço para a cena política, que absorve amplamente as atenções.

Há absoluta necessidade para que se acentue o foco em torno do que é relevante para o país e a sua urgência, pois o risco do desalento está presente.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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