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Viés de alta no câmbio tem fundamentos, mas volatilidade decorre de ausência do BC

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Parece que o BC está cumprindo o seu papel no mercado de câmbio, parece, mas os números deste segmento por ele (BC) mesmo divulgado ensejam que se pense que tem sido inexplicavelmente impontual e discreto.

Afinal, novembro já consolidou expressivo volume de saídas financeiras do país, fato que tem mantido a tendência em dezembro, situação que conduziu a somatória das posições vendidas (a descoberto) dos bancos a superarem os US$ 13,0 Bi, com base no fluxo até 7 de dezembro e o BC somente ao final de novembro realizou leilões de linha de financiamento em moeda estrangeira com recompra e agora ao longo da primeira quinzena as tem realizado de forma esporádica e de forma notoriamente insuficiente.

Estima-se que haja um “gap” aberto para absorção de linhas de financiamento em moeda estrangeira da ordem de US$ 6,0 a US$ 7,0 Bi, e isto pode estar acentuadamente contribuindo para a elevação do preço da moeda americana no nosso mercado nas últimas semanas.

Inegavelmente, há uma crescente mudança de humores externos com reflexos diretos nas perspectivas dos países emergentes, e, isto quebra o clima de forte otimismo.

Queda na liquidez do mercado internacional, diminuição dos volumes de comércio e disputas acirradas no entorno, questões ligadas às perspectivas da economia americana e sobre a linha de conduta do FED americano no trato da questão do juro, difíceis negociações em torno do Brexit e União Europeia, e um constante embate estimulado pelo Presidente americano em questões comerciais e geopolíticas, são fatores que ganharam destaque neste final do ano, sendo que muitos estavam fora do radar.

Enquanto que no Brasil convive-se com a expectativa de um novo governo, que é vista com otimismo, mas que depende de explicitar melhor como conseguirá propagar seus objetivos, hoje tão somente ideias, mas que certamente não encontrarão soluções tão rápidas quanto desejável e necessário, visto que também o Congresso Nacional será fortemente modificado e certamente haverá o empenho de um tempo bem maior do que o desejado.

A questão central são as reformas, com destaque para a previdenciária, afora a questão da cessão onerosa, tudo com foco direto na equalização do grave problema da crise fiscal, sem o que o País não andará e terá dificuldades de passar do discurso à prática.

O Brasil tem pressa e isto agora está tendo um peso maior quando se observa a grandeza do desafio a ser suplantado pelo novo governo, e, não bastassem os desafios internos, surgem agora perspectivas menos favoráveis no cenário externo.

Então, é natural que aumente o prêmio de risco Brasil, que impacta no preço do dólar elevando-o e nas perspectivas para a Bovespa que passa a ter contração pela incerteza quanto a retomada da atividade econômica tão imediata quanto o anseio.

A economia brasileira está com a atividade estagnada e praticamente sem capacidade de geração de emprego, renda e consumo, mas tem inflação e juro baixo, e não têm problemas nas contas externas, com déficit em transações corrente equilibrado e reservas cambiais exuberantes, o que deixa o país imune a crise cambial.

Enfim, tem pontos relevantes bem acomodados, falta, contudo superar a crise fiscal para poder “oxigenar-se” e ganhar fôlego para realizar o fundamental para a retomada da atividade econômica.

Evidentemente que a junção desta percepção interna de desafio maior e de ambiente externo menos favorável provoca impacto no Brasil, pais emergente, mas inquestionavelmente a relativa “ausência” do BC neste ambiente volátil do mercado de câmbio não deixa de ser intrigante, até inexplicável, e, sem dúvidas, tem uma parcela contributiva para a apreciação do dólar frente ao real.

O mercado de câmbio ainda tem presente, afora as operações de proteção efetivas, um relevante montante de posicionamentos “comprados” e “vendidos” no mercado futuro de dólares fundamentalmente especulativos e os “players” agem continuamente focando seus interesses, e, a qualquer vacilo do BC não perdem a oportunidade de buscar seus interesses.

Nos parece que há fundamentos para que as projeções para o preço da moeda americana que estavam entre R$ 3,70 a R$ 3,75 para o final do ano assumam um novo patamar, agregando maior prêmio de risco, mas sem exacerbações e o BC precisa acentuar sua atividade focando a contenção da volatilidade que é pior do que a alta ou a baixa do preço em si.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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