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Já é plausível projeção de dólar acima de R$ 3,80 para o final do ano?

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As projeções para o preço do dólar ao final do ano flutuam entre R$ 3,70 e R$ 3,75, tendo o Boletim Focus revisto na última semana para R$ 3,78, mas o comportamento da formação do preço nas semanas recentes projetou movimento de apreciação da moeda americana ante o real, e, pontificou um montante de “posição vendida” pelos bancos acima do normal, sem que o BC tenha sido pontual e efetivo na oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra.

Indicativos primários consubstanciados em dados do próprio BC sinalizam, mesmo após os leilões realizados ao final de novembro e início de dezembro, que existe um “gap” de posição vendida pelos bancos carentes de lastro de financiamento, salvo se os mesmos estão optando por obter linhas diretamente com bancos no exterior, preterindo, desta forma, a opção de eventual oferta do BC, que tem visibilidade destes dados.

Este “gap” situa-se em torno de US$ 5,5 Bi, a menos que o fluxo cambial da semana passada, a ser divulgado hoje, demonstre saldo positivo e assim o tenha reduzido.

O mês de novembro deu evidência a substantiva saída de recursos financeiros do país, acima de US$ 12,0 Bi, embora o saldo do fluxo líquido tenha sido pouco maior de US$ 4,0 Bi.

É presumível que neste mês de dezembro, a conferir após a divulgação do fluxo, o volume de saídas se acentue como habitual.

Há um persistente embate no mercado futuro de dólar entre “comprados” e “vendidos”, com grande conteúdo especulativo, que causa repercussões na formação do preço da moeda americana no mercado à vista.

A postura do BC, extremamente discreta ao ofertar de linhas ao mercado, tem sido motivo de observação e até de ilações de que a autoridade monetária tenha como objetivo uma taxa cambial mais robusta ao final do ano, acima de R$ 3,80.

O comportamento do preço da moeda americana tem se configurado volátil no nosso mercado frente ao real, nem sempre assimétrica com o comportamento da mesma no mercado internacional, deixando evidente que o peso do prêmio de risco Brasil pode estar influenciando a formação do preço, considerando a elevação do grau de incertezas acerca de pontos altamente relevantes a serem superados pelo novo governo brasileiro.

O quadro atual do mercado de câmbio, contrariando a maioria das projeções, inclusive a nossa, pode dar sustentabilidade ao fechamento do ano com uma taxa para o dólar acima de R$ 3,80, o que seria, em parte, desapontador.

Este mês de dezembro, contrariando expectativas, acentuou incertezas e tensões externas, o mesmo ocorrendo internamente no Brasil.

A relação China-Estados Unidos emite sempre sinais de muita insegurança e vulnerabilidade a fatos novos contínuos, razão pela qual é sempre temerário admitir-se que os surtos de “otimismos” sejam sustentáveis, e nem sempre afinamentos momentâneos são tão coerentes como parecem.

A sinalização de Trump de volta a negociações com a China e o estabelecimento de um interregno de 90 dias nos embates, teve o claro interesse comercial, já percebido e ontem tornado enfático quando falou da retomada das exportações de soja americana para a China.

O Brasil neste ano de 2018 sinaliza que poderá ter um crescimento de 30% nas suas exportações de soja, muito em consequência dos entraves comerciais sino-americano, mas em 2019 quando colherá expressiva safra pode ter a decepção de exportações menores e preços menos favoráveis. Os Estados Unidos estão colhendo sua safra e é o momento de negociá-la com a China, o que somente será possível ao Brasil posteriormente.

Há neste momento “lampejos” de melhor de humor no mercado global, a partir de sinais menos tempestuosos entre China e Estados Unidos, para o que contribui a libertação, mediante fiança, da executiva chinesa da Huawei presa no Canadá, mas os conflitos são extremamente frequentes e assim qualquer melhora não sanciona sustentabilidade.

Mas há muito ainda em ebulição como as incertezas em torno da Brexit e até mesmo da permanência de May à frente do governo britânico, o que torna tenso o ambiente entre União Europeia e Reino Unido.

Há um desconforto entre o Presidente Trump e o FED, com forte divergência no tratamento da política de juro e perspectivas. Hoje haverá a divulgação do CPI de novembro nos Estados Unidos e a perspectiva é de discreta alta no núcleo, e isto pode afetar os ânimos em torno das decisões futuras do FED.

Enfim há fatores que não afastam volatilidade, apesar dos indicativos prematuros de melhora de ambiente externo.

Internamente, é preciso analisar o fluxo cambial a ser divulgado hoje relativo a semana passada, mas as incertezas internas em torno das reformas imprescindíveis para o equacionamento da expressiva crise fiscal, agravado pelas incertezas em torno da cessão onerosa podem agravar o prêmio de risco Brasil.

Os “comprados” no mercado futuro de dólar evidenciam que tem forte convicção de que o dólar pode ter sustentabilidade a um preço acima das projeções majoritárias e ontem aumentaram suas posições em mais de US$ 700,0 milhões.

Por outro lado, aumentam os sinais de que poderá haver uma “ressaca” no fluxo de capitais estrangeiros para os países emergentes ao longo de 2019 e este é um fator relevante na formação de expectativas e impactos na formação dos preços dos ativos brasileiros.

Enfim, há muito que ser observado neste mês de dezembro, e, certamente, haverá muita volatilidade no comportamento da Bovespa e, em especial, na formação de preço da moeda americana no nosso mercado.

O COPOM em sua reunião de hoje deve manter a SELIC em 6,5% e até pode sinalizar período mais duradouro para esta manutenção.

O CDS BRASIL 5 ANOS sinaliza hoje 204,7 pontos, melhor que dia 7 que era 209,2 pontos e melhor que 28/11 que era 220,7.

O índice dólar frente a cesta de moedas está estável.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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