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Postura do BC sugere foco em dólar com preço acima de R$ 3,80 ao final do ano?

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O mês de novembro registrou o maior volume de saídas financeiras do ano ao registrar US$ 12,987 Bi, superando os US$ 10,472 Bi de março e os US$ 9,802 Bi de agosto e também foi o que registrou o maior saldo de fluxo cambial negativo no ano com US$ 6,614 Bi.

Importante e relevante observar que no dia 26/11 houve um fluxo líquido negativo de tão somente  US$ 573,0 Mi (comercial +US$ 277,0 Mi e financeiro - US$ 850,0 Mi) e foi neste dia que a moeda americana sofreu a expressiva apreciação de 2,5% ante o real, com o mercado propagando que houvera “intensa” demanda como fator determinante. A divulgação não ganhou sustentação nos números, o que sugere que se suponha que tenha havido movimento oportuno e especulativo a partir dos posicionamentos dos “comprados” no mercado futuro de dólar.

Ou, Teriam sido os bancos emitindo um sinal de que precisavam de linhas tendo em vista o intenso movimento ocorrido no dia seguinte? Afinal  já estavam com posições vendidas de US$ 9,440 Bi e tão somente US$ 1,250 Bi de linhas, o que, em tese, os levaria a demandar ou já estar demandando linhas dos banqueiros externos.

A expressiva demanda ocorreu no dia seguinte, 27/11, quando o fluxo foi substantivamente negativo registrando US$ 2,675 Bi (comercial –US$ 316,0 Mi e financeiro – US$ 2,360 Mi).

O que causa estranheza é o fato do BC ter sido e permanecer leniente ante o quadro de liquidez carente do mercado a vista ao longo do mês de novembro e que persiste agora em dezembro.

Na semana de 5-9/11 os bancos estavam vendidos em US$ 6,287 Bi e detinham linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra fornecidas pelo BC de US$ 1,250 Bi, tendo em vista que liquidaram US$ 900,0 Mi no dia 5, e este montante já sugeria que o BC realizasse oferta de leilão de linha focando a manutenção da liquidez do mercado a vista, até porque sabidamente dezembro tende a ter demanda acentuada e um período operacional mais concentrado devido às comemorações de final do ano.

Apontamos esta necessidade em nossos boletins pertinentes.

Na semana de 12-16/11 – posições vendidas de US$ 6,287 Bi – linhas US$ 1,250 Bi. Na semana de 19/23 – posições vendidas US$ 9,379 Bi – linhas US$ 1,250 Bi. Na semana de 26/30 – posições vendidas US$ 11,827 Bi  - linhas US$ 4.250 Bi, com US$ 3,0 Bi ofertados em 29 e 30/11 quando as posições vendidas já estavam em torno de US$ 9,440 Bi.

Todos sabem que à margem do mercado a vista e com grande influência na formação da taxa ocorre o embate entre “comprados” e “vendidos” onde há os “comprados” em situação de desvantagem, em tese,  em decorrência do movimento especulativo ocorrido entre a segunda quinzena de agosto e final de setembro quando o preço da moeda americana atingiu R$ 4,20 e sucumbiu por falta de fundamentos.

A postura do BC,  ante o quadro presumível com base nos números que divulga,  é intrigante pois sugere necessidade de atitude pró ativa com foco na liquidez do mercado a vista, e neste mês realizou um leilão adicional de US$ 1,0 Bi.

A rigor, há espaço para realizar oferta da ordem de US$ 5,5 Bi sem alarde de intervenção ou qualquer outro acinte, mas simplesmente como procedimento normal.

Estaria ocorrendo alguma mudança, já que o assunto “câmbio flutuante sujo” tem sido aventado neste período de transição devido estas intervenções com foco na liquidez por parte do BC?

Enfim, há algo diferente ocorrendo, mas no nosso entendimento e parece que ainda de forma generalizada, também pela mediana divulgada no Boletim Focus, a projeção para o preço da moeda americana ao final do ano permanece em torno de R$ 3,70 a R$ 3,75.

O país tem um quadro absolutamente tranquilo no quesito contas externas,  déficit em transações correntes, reservas cambiais e mais juros baixos e inflação baixa que pode até ficar em 3,80% embora o BC tenha manifestado projeção de 4%.

O país não tem risco qualquer de crise cambial.

O preço da moeda americana no nosso mercado poderia até ser projetada para preço em torno de R$ 3,50, mas inegavelmente há um prêmio de risco agregado ao preço atual que corresponde às incertezas oriundas do preocupante quadro de crise fiscal, dúvidas sobre as formas e viabilidades das reformas fundamentais,  perspectivas pouco otimistas sobre os preços futuros das commodities, enfim, também outros fatores de incertezas de origem externa como a situação da economia americana que “flutua” entre o otimismo e a preocupação sinalizada pela inversão das curvas de juros e a relação comercial inconstante entre China e Estados Unidos.

Há uma questão no ar, vamos acompanhar para ver se o BC por atos consegue responder e esclarecer!


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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