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Distensão China-USA estéril. Curvas de juros USA inversas. Brasil: BC retraído!

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A semana teve início com perspectivas muito otimistas após os sinais emitidos a partir da reunião do G-20 de que Estados Unidos e China haviam alinhado uma trégua de 90 dias nos embates comerciais.

Mas, a despeito da reação do mercado americano na segunda feira, não tão otimista, mas sem contrariar no Brasil, a terça feira, ontem, já deteriorou os efeitos benignos daquele fato, ao se perceber que os efeitos da distensão podem ser estéreis.

Com o ajuste de visão a respeito, o Brasil,  grande exportador de soja e com recorde neste ano e com perspectivas de safra exuberante em 2019, parece ter se apercebido de que os Estados Unidos em grande parte do comércio exterior é concorrente e não parceiro. Logo percebeu que a trégua irá certamente beneficiar os Estados Unidos com suas exportações de soja, atualmente em plena colheita da safra, em detrimento das exportações brasileiras, cuja próxima safra está germinando. O fato seguramente impactará reduzindo o volume das exportações brasileiras, afora os efeitos negativos sobre o fator preço.

Ocorreu, de forma mais ampla,  certo esvaziamento no entusiasmo global havido na segunda feira, embora o Presidente Trump continue na retórica positiva, os mercados têm muitas incertezas a respeito e assiste tudo com moderação.

O mercado financeiro americano mudou de ânimo ao observar que ocorre uma inversão nas curvas de juros dos T-Bonds, com os prazos mais curtos superando as rentabilidades dos prazos mais longos, e isto, ao longo da história americana, tem sido consistente sinalização de que se fortalece a perspectiva de recessão econômica.

Então, ocorreu a forte derrocada das expectativas e o mercado acionário americano repercutiu fortemente ontem, e afetou o mercado global, e hoje nos Estados Unidos deverá haver tão somente meio expediente em razão do funeral do ex-Presidente, portanto um dia de funcionamento atípico.

Entendíamos que a Bovespa, que tem fatores limitantes internos para sua valorização, pudesse ir no “vácuo” do mercado global e sustentar alta ultrapassando os 90.000 pontos, mas também não conseguiu, ficando à mercê da contenção dos fatores internos.

E o dólar, cuja perspectiva tem acentuada tendência de depreciação frente ao real fechando o ano entre R$ 3,70 a R$ 3,75 e não havendo fundamentos sustentáveis para que se situe acima deste parâmetro, visto que o país tem situação privilegiada de contas externas, déficit em transações correntes e reservas cambiais soberbas, por que demonstra resistência?

Neste ativo observamos que houve e há uma ação tardia por parte da autoridade monetária. Os bancos autorizados a operar em câmbio já há algumas semanas vem com substantivas posições vendidas, e, até recentemente com baixo estoque de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra fornecida pelo BC, com as quais proporciona liquidez ao mercado de câmbio à vista.

Inexplicavelmente, o BC se fez retardatário na ação “profilática” de manutenção da liquidez dentro de parâmetros confortáveis no mercado à vista.

No último dia 26/11 houve forte pressão sobre a formação do preço da moeda americana no nosso mercado e provocou apreciação do dólar frente ao real de 2,5% absolutamente atípica e sem movimentos correlatos externos.

A grande maioria do mercado atribuiu a pressão a forte demanda, o que será possível de verificação hoje quando o BC divulgará o FLUXO CAMBIAL envolvendo aquele dia, enquanto tivemos a forte impressão de que foi um movimento estratégico com cunho especulativo a partir dos investidores “comprados” no mercado futuro de dólar, buscando mitigar seus prejuízos contidos nas suas posições em decorrência do movimento especulativo intentado ao longo da segunda quinzena de agosto e do mês de setembro quando não conseguiram elevar o preço do dólar a R$ 5,00, sucumbindo e perdendo sustentabilidade quando atingiu R$ 4,20.

Os “comprados” ainda não assumiram seus prejuízos suportando suas posições, certamente trabalhando com a expectativa de que o país possa vir a enfrentar dificuldades com reformas que viabilizem equacionamento da expressiva crise fiscal, que representa expressivo prêmio de risco na composição do preço da moeda americana.

Na semana que envolve o dia 26/11 os bancos já estavam com posições vendidas em torno de US$ 9,0 Bi e só dispunham de US$ 1,250 Bi de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra fornecida pelo BC.

Claramente, o BC foi extremamente retardatário em sua ação de fomento da liquidez do mercado à vista. Posteriormente, ofertou ao todo US$ 4,0 Bi até ontem e mais US$ 1,250 Bi para rolagem da posição vincenda ontem, 4/12.

Em nosso entendimento o BC precisa mudar a ATITUDE e sem alardes de intervenção ou acintes simplesmente atender à demanda ainda presente no mercado a vista de lastro em torno de US$ 4,0 Bi ou mais se as posições dos bancos estiverem acima de US$ 9,0 Bi, provendo adequada liquidez ao mercado a vista, e certamente o preço da moeda americana retroagirá a R$ 3,75.

O prêmio de risco representado pela crise fiscal e dificuldades em perspectivas para as reformas fundamentais e o equacionamento da cessão onerosa, que parecem ter sido transferidas para discussão no próximo ano, no nosso entender inibe apreciação maior do real ante o dólar, porém toda a expectativa sobre projeção para o final do ano situa o preço entre R$ 3,70 a R$ 3,75.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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