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Bolsa e dólar requerem fatos concretos e podem ficar até 1 semestre em expectativa

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Ao final do mês de outubro tivemos oportunidade de sinalizar nossa perspectiva de que Bolsa e Dólar, ao longo do mês de novembro, “andariam de lado”, visto que seria o período mais agudo da transição governamental, e, isto deveria sugerir muita observação e pouca ação, numa postura marcada pela sensatez, visto que os problemas relevantes presentes no país, em especial em sua economia com destaque para a crise fiscal, continuavam e continuam como incertezas visto que permanecia carente de definição e alinhamento de viabilidade a solução e/ou superação da questão com base numa linha programática de gestão do novo governo.

Este interregno de 3 meses em termos efetivos tende a se revelar estagnante pois depende de tudo que somente poderá ser real e efetivo a partir de janeiro.

Na medida em que a discussão da principal reforma, a previdenciária, vai sinalizando postergação para discussão somente no novo governo, as perspectivas vão ficando mais preocupantes, pois poderá haver um longo período de 1 semestre envolvendo as discussões, razão pela qual, imaginamos, o futuro Presidente Bolsonaro demonstra forte anseio que o governo Temer coloque o assunto em debate no Congresso ainda em sua gestão.

O dólar como vimos destacando tem absoluta necessidade técnica de ainda sustentar na formação do seu preço conteúdo de prêmio de risco, já que como apontado os problemas de peso estão presentes e carentes de definições relevantes.

Afinal, após a descontaminação do adicional especulativo que foi agregado ao preço do dólar desde meados de agosto até o final de setembro, ocorreu, como preconizado em nossas abordagens, um ponto de resistência ao nível de R$ 3,70, preço que entendíamos e entendemos como de equilíbrio nesta fase e que agrega prêmio de risco.

Oscilações no entorno deste preço tem sido efetivamente decorrentes dos movimentos que ocorrem no mercado futuro de dólar e derivativos, onde “comprados” e “vendidos” desenvolvem um embate em torno de posições próximas de US$ 40,0 Bi de cada lado.

Ratificamos que nossa percepção é que este nível de preço, R$ 3,70, seja efetivo de equilíbrio e que deve ser duradouro até o 1º semestre do ano que vem, pelo menos.

Na questão da B3, embora tenha havido projeções extremamente otimistas, nossa percepção sugeria que, até mesmo antes das eleições, houvesse um movimento defensivo por parte dos investidores, em especial os estrangeiros, tendo em vista que há absoluta necessidade de que se construa perspectiva crível de superação da crise fiscal e retomada da atividade econômica, fator decisivo visto que o mercado acionário é dependente de bons resultados corporativos.

Houve um relativo retardo no início da postura defensiva por parte dos estrangeiros, mas ao que tudo indica pode estar tendo início, pois, segundo consta, logo ao início deste mês de novembro houve vendas na B3 da ordem de US$ 4,0 Bi pelos estrangeiros. E esta é uma tendência presente, dentro da nossa expectativa, restando observar se retirarão estes volumes do país ou permanecerão com os mesmos em aplicações de renda fixa.

Esta nova postura dos estrangeiros deve confirmar a tendência do “andar de lado” da B3, até que haja um cenário mais promissor do que o momento onde ainda predominam muitas incertezas em torno dos desafios presentes ao país.

Há otimismo em relação ao Brasil por parte dos brasileiros, mas há também a realidade e esta cria o fator imponderável que pode constranger o entusiasmo para até quando se tiver efetivas razões para se vislumbrar com segurança razões concretas para promover o reordenamento e “reconstrução” da dinâmica do país.

A crise fiscal é um problema mais severo do que a grande maioria acredita, e, adicionalmente as notícias recentes indicam que mais de uma dúzia de Estados estão em situação de absoluta insolvência.

Sem direcionamento de solução para este problema, tudo o mais ficará caoticamente sem perspectivas de avanços consideráveis pelo novo governo no curto prazo.

Os investidores estrangeiros seguramente podem estar dando início a um movimento defensivo mais contundente face às incertezas quanto ao tempo que será necessário para que o país readquira tração na sua economia e supere ou alivie a crise fiscal.

Por outro lado, como bem pontuou o BC na mais recente reunião do COPOM, o apetite externo por risco dos emergentes é cadente e, todos sabem, que a liquidez do mercado internacional não será tão benigna para os países emergentes o quanto foi até recentemente, além do que os níveis de juros no mercado americano são forte atrativo aos capitais que buscavam rentabilidade nos mercado emergentes.

De uma forma geral os tempos futuros não se insinuam benignos para os emergentes, e, isto não pode ser perdido de vista nas considerações sobre perspectivas para a B3.

No Brasil não há risco de crise cambial, mal que assola a grande maioria de emergentes, o que é confortante, mas o país está carente de atratividades maiores para os investidores, já que a taxa de juro está baixa confrontada com as praticadas nos pais desenvolvidos e o tratamento tributário é perverso se comparado com os Estados Unidos, em especial, e a economia americana está “bombando” estimulando o direcionamento dos recursos do mercado global em busca de rentabilidade para o mercado americano.

Enfim, no nosso entender este é um momento para observação, cada dia será um dia com novos sinais, mas os problemas brasileiros não ensejam soluções rápidas e no curto prazo, razão pela qual poderá haver relativa frustração nas expectativas imediatas, sem, contudo, “quebrar” o otimismo com o novo governo, mas contendo as exacerbações.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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