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Ptax,“comprados” vs “vendidos”,“spotlights” sobre ações de governo! Volatilidade!

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O mercado de câmbio brasileiro tem “em ser” uma disputa acirrada entre “comprados” e “vendidos” no segmento futuro de dólar, ainda com saldos remanescentes do movimento especulativo ocorrido recentemente, quando o preço da moeda americana atingiu R$ 4,20 e retrocedeu desapontando os “comprados” que almejavam que chegasse a R$ 5,00, baseados em supostas simetrias entre 2018 e outros momentos críticos antecedentes que não se confirmaram, por um enfoque com erro crasso já que situação das contas externas brasileiras atualmente é absolutamente confortável e assim não proporcionaram suporte àquele anseio descabido.

O montante de cada lado está em torno de US$ 39,0 Bi e embora haja a convicção de que não cabe mais movimento especulativo como o intentado, há razões técnicas que provocam uma disputa adicional. Os “vendidos” propagam a desconsideração do prêmio de risco ainda contido com o preço ao redor de R$ 3,70 e buscam apreciar mais o real, enquanto os “comprados” buscando evitar desastre maior buscam dar sustentabilidade a este preço sob a alegação de que ainda não é possível expurgar do preço do prêmio de risco.

Na realidade o preço da moeda está resistente na faixa de R$ 3,70 porque mantém o prêmio de risco, como prevíramos, e este, acreditamos, somente será passível de desconsideração quando o novo governo definir estratégia suficiente e viável de equacionamento do preocupante déficit fiscal do país e dinamização da atividade econômica, o que pode demandar tempo porque deve envolver reformas relevantes.

A FGV tem sinalizado que a taxa de câmbio ideal estaria em torno de R$ 3,20/3,30, mas entre a ideal e a possível continuamos com a convicção de que, no momento e ainda por um período que pode envolver o 1º trimestre de 2019, a taxa de equilíbrio possível está mais próxima de R$ 3,70.

Os “comprados” estão em posição de desconforto, pois não há sinais no horizonte que possam justificar exacerbação do preço muito além de R$ 3,70, a não ser por “torcida” dos próprios em matérias jornalísticas, e os “vendidos” estão à espera de maior depreciação do preço da moeda americana e sempre que surge oportunidade apreciam o real sem, contudo, conquistar sustentabilidade.

Então, quando chega a virada do mês que é o momento da fixação da PTax básica para fazer o ajuste das posições e auferir performance é natural que haja disputa acirrada e desta forma ocorra volatilidade.

Hoje é o dia!

Entendemos que o preço da moeda americana deverá flutuar no entorno de R$ 3,70 muito provavelmente até o 1º trimestre de 2019, visto que a transição governamental está somente sendo iniciada e, como já se observa, há muitos conflitos opinativos entre os integrantes da equipe de transição e este “disse não disse ou será assim ou não será assim” provoca repercussões na sensibilidade do mercado financeiro.

O novo governo precisa necessariamente alinhar os discursos e as falas para mitigar manifestações conflituosas. E, já tem havido.

Mereceu consideração a afirmativa, se verdadeira, atribuída ao futuro Chefe da Casa Civil em torno de algum controle sobre o câmbio, o que seria algo absolutamente inusitado e absoluto erro crasso, primário mesmo, mas que assusta devido ser uma aberração para um pais como o Brasil. Manifestações, se é que houve, em torno de matérias de politica monetária e cambial devem ser restritas ao futuro Ministro da Fazenda e/ou por delegação ao futuro Presidente do BC. Há evidências de que foi cometida a imprudência, pois Paulo Guedes o desautorizou de forma enfática ontem pela mídia.

Paulo Guedes é reconhecidamente um “expert” no mercado de câmbio, mas deve evitar fazer declarações tipo “spotlights” que acabam, pela superficialidade, causando ruídos desnecessários, tais como “vender moeda das reservas se o câmbio chegar a R$ 5,00”, nada a ver se a demanda não for efetiva e simplesmente especulativa com alta induzida, ou “a especulação pode ajudar o governo a reduzir a divida publica”, ou seja com a perda dos especuladores o BC/governo realizará lucro com os contratos de swaps cambiais (seria isto?).

O câmbio é muito técnico para colocações sucintas ouvidas sem o entendimento técnico correto e podem causar efeitos controversos e totalmente desnecessários no momento.

Houve também menção de possibilidade de utilização de parte das reservas cambiais para reduzir o montante de Divida Publica e reduzir os encargos com juro, atribuída a Paulo Guedes. Esta é uma ideia, em tese, já aventada no passado por Pochman, economista do PT. A rigor, não é uma ideia ruim desde que se limite ao excesso existente e haja perfeita demonstração deste fato, evitando assim interpretações erráticas, até porque as reservas cambiais construídas ao tempo do “boom das commodities” o foram com aumento da Divida Publica e não com superávits fiscais, então agora seria um ajuste reversivo. Este também deve ser um tema para ser colocado com maior amplitude e acuidade e não como “spotlight” para a imprensa, pois envolve muitas minudências e detalhamentos, e pode suscitar posturas criticas precipitadas.

Adicionalmente, a mídia relatou que Guedes confirmou que o BC deverá ser mesmo independente e que a legislação será ordenada neste sentido, bem como asseverou que Ilan, o Presidente atual poderá ser convidado para continuar e ainda não o foi, e este, se confirmado, será um fato positivo.

A B3 que sinaliza ter registrado a saída de quase US$ 1,0 Bi de investimentos líquidos neste mês de outubro, sabidamente está com os seus preços em dólares iguais há 10 anos e tem potencial para proporcionar excelentes oportunidades, mas é dependente da reativação da atividade econômica que cria perspectivas de resultados, que passa pelo equacionamento da divida fiscal, e depende também do comportamento de preços e demanda externa das nossas principais “commodities”. A rigor parece tender a ficar na faixa de 85.000/90.000 pontos neste momento.

Então, o quadro presente de transição de governo sugere também que haja sensatez absoluta em relação ao comportamento dos ativos dólar e ações, para que não ocorram equívocos ou posturas visionárias sem fundamentos críveis.

O Brasil tem inúmeros e grandiosos desafios que não podem ser menosprezados ou entendidos como solucionáveis tão somente com a mudança dos gestores governamentais.

Otimismo sim, é relevante que predomine, mas sem precipitações, dando o devido tempo para que se consolidem medidas focadas na recuperação do país, a tarefa é altamente desafiadora.

É importantíssimo observar qual a tendência de adesão aos propósitos do governo central por parte do Congresso Nacional, sem o que medidas imprescindíveis poderão ser proteladas além do previsto.

Há o ambiente externo que não sinaliza a predominância de perspectivas benignas como se teve até recentemente em termos de liquidez, e, muito provavelmente também um pouco restritivo ao fluxo de investimentos já que a economia americana se fez atraente com a reforma tributária implantada pelo governo Trump, podendo até motivar desinvestimentos em países emergentes.

Não podemos perder de vista que o país estará sob forte observação do mercado internacional, sendo o sensor mais visível o CDS, e uma visão favorável será fundamental para otimizar captações de recursos a taxas de juros compatíveis e interessantes.

Enfim, é preciso ter presente que o país estará envidando esforços para dar inicio a um recomeço para superar a severa crise, sem perder de vista que a crise ainda está presente com todas as suas mazelas, a mudança que está ocorrendo é dos gestores, por enquanto nada, além disto, razão pela qual é preciso serenidade e sensatez, sem precipitações.

As agências de rating já estão com o Brasil no foco, mas, também, precisam ter o equilíbrio necessário em suas observações e não precipitar análises e conclusões, neste quadro ainda débil, monitorando tão somente as direções sinalizadas como objetivo, que neste momento, são mais relevantes do que a velocidade, que será o momento sequente.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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