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Sensatez é imperativa. Emocional pode afetar o racional na formação dos preços!

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A ocorrência primeira em linha com os anseios do mercado financeiro se consolidou da forma esperada, mas é fundamental que o otimismo não se transforme em euforia demasiada e que distorça a formação de preços dos principais ativos, numa espécie de “sacar sobre o futuro” o que seria precipitado, visto que os desafios presentes no cenário abrangente do Brasil enseja cautela e não serão de solução rápida e pontual como os anseios.

Haverá um intervalo para transição e um período adicional para busca da implementação das medidas absolutamente necessárias para conduzir o país à redenção de sua caótica situação fiscal e de forte inércia da atividade econômica, somente com o que se poderá vislumbrar perspectivas de incremento do emprego, renda e consumo e naturalmente, motivação para investimentos produtivos e concomitante alavancagem da produtividade e arrecadação tributária.

O partido do novo Presidente e o próprio precisarão conquistar aliados num Congresso com perfil relativamente modificado, tendo em visto que precisará de muito apoio consolidado para alcançar os propósitos manifestados, até agora ainda de forma superficial.

Será necessário conhecer-se os nomes integrantes do novo “staff” diretivo do governo e enfim a linha programática melhor definida e elaborada.

A tarefa que se vislumbra é grandiosa em sua dimensão e seguramente entre a teoria e a prática demandará tempo.

Por isso a sensatez será fundamental e o bom senso recomenda que assim seja, com otimismo, mas sem precipitações.

O preço do dólar no nosso mercado ainda deve manter um prêmio de risco compatível com o “status quo” do país, o que o deixaria agora pós eleição no parâmetro do entorno de R$ 3,70, não sendo razoável expurgar-se o peso do prêmio de risco já que os problemas existentes continuam presentes e ainda não há argumentos concretos para que se os elimine com base em perspectivas.

Precipitar pode provocar volatilidade e este seria um cenário negativo.

Entendemos que a R$ 3,70 o preço da moeda estará em linha com a realidade presente.

Sabidamente, por vezes “esquecida”, o país tem uma situação de contas externas bastante confortável que não o deixa sujeito a qualquer crise cambial, mas este é um ponto absolutamente fora da curva no sentido positivo, visto que tudo o mais está carente de ajustes dantescos e portanto, representam risco.

Perspectivas de melhora de gestão de estatais com participação na Bolsa precisam ser vistas com equilíbrio, já que ocorreram mudanças substantivas na gestão e o mercado as sancionou, então podem ocorrer exacerbações de preços especulativamente.

É preciso se conhecer quais são os planos de governo para as reformas imprescindíveis e a sua exequibilidade, sem ignorar que o que envolver privatizações e requerer aportes de investimentos internacionais agora tem a forte concorrência americana que com a reforma tributária implantada passou a atrair os grandes investimentos e até desinvestimentos em outros países detidos por empresas americanas.

O mundo está em ebulição seja no comércio exterior e/ou nos fluxos de capitais e o Brasil precisará se tornar mais aberto e competitivo e isto demanda tempo e determinação.

Enfim, o novo governo assumirá um país que está “entravado” na sua atividade econômica e com enorme crise fiscal e todas as mazelas decorrentes, mas que tem a inflação sobre controle e juro baixo, o que já é uma grande vantagem.

O discurso inicial de conceder independência ao Banco Central do Brasil seria um relevante e importante passo na direção da modernidade.

A continuidade do Presidente atual seria positiva e certamente bem aceita pelo mercado, havendo também boa receptividade pelos nomes da equipe econômica do governo Temer.

O Boletim FOCUS divulgado hoje aponta corretamente um redução na projeção do dólar estabelecendo-a em R$ 3,71, sendo a nossa NGO, já antecipada como nossa projeção desde maio/junho para pós eleição, R$ 3,70.

A projeção para o PIB foi elevada de 1,34% para 1,36%, muito provavelmente devido os resultados imprevistos dos meses recentes, mas temos expectativa menor.

O IPCA foi reduzido de 4,44% para 4,43%, mas acreditamos que venha a ser mais deprimido em razão da queda do preço do dólar que teve impacto na elevação das projeções e agora deverá impor correção reduzindo-o.

A SELIC nos parece dada para este ano em 6,5%, não havendo qualquer pressão indutora a elevação, até porque o dólar perdeu seu impacto inflacionário.

Enfim, o país passa a conviver com novas expectativas e o mercado financeiro está otimista, mas não pode cometer o equívoco de trazer a “valor presente” as “expectativas ainda incertas” de médio prazo, o que poderia provocar desapontamentos.

É preciso continuar acompanhando a visão externa sobre o Brasil, o comportamento do CDS, a facilidade de colocação de papéis brasileiros no exterior a taxas razoáveis, visto que a qualquer preço sempre haverá demanda, e, espera-se que o novo governo saiba construir relacionamentos comerciais fortes e sustentáveis reconstruindo o que foi desprezados pelos governos anteriores.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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