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E o dólar chega às eleições com preço considerado equilibrado, simples assim!

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Afinal como destacamos desde muito, não havia fundamentos para dar sustentação à exacerbação ocorrida no preço da moeda americana a partir de meados do mês de agosto, pois como destacamos o Brasil tem uma sólida situação das contas externas, soberbo estoque de reservas cambiais que permitem ao BC operacionalizar com integral credibilidade instrumentos apropriados para suprir as demandas de liquidez, seja por proteção cambial, seja por liquidez no mercado à vista.

E mais, situação confortável de déficit em contas correntes, juro e inflação baixos, deixa evidente que se temores e tensões podem estar presente neste momento pré-eleitoral não devem ter o centro nervoso no mercado cambial, pois as incertezas e dúvidas campeiam na inércia da atividade econômica, no soberbo déficit fiscal, no desemprego, na queda de renda e consumo, e na ausência de perspectivas efetivas e concretas para formação de cenário programático, seja qual for o candidato que venha a ser eleito Presidente.

Mas, no câmbio, não há razões, inclusive, razões para temores e tensões, pois a solidez é tamanha que o novo Presidente não representa um risco de desestabilização cambial.

Por mais contraditória que possa parecer, esta é a realidade brasileira e, portanto, não há como identificar-se, como os estrangeiros gostam e até uma boa parte de brasileiros ecoa, qualquer sinergia com a situação da Argentina e Turquia, e até outros emergentes, visto que este quadro do contexto das contas externas brasileiras faz do Brasil um emergente menos vulnerável as intempestividades externas.

Contudo, há no Brasil uma “tradição” ancorada na “memória antecedente” que em todos os momentos de tensões e incertezas o preço da moeda americana é o melhor sensor, e assim torna-se o foco termômetro da situação, pois no passado o país sempre teve uma situação de elevado endividamento e considerável fragilidade na questão cambial.

Então, os estrangeiros, potencialmente, resolveram especular na alta do preço do dólar e construíram posições compradas no entorno de US$ 40,0 Bi e a partir desta postura foi detonado forte movimento especulativo “vendendo” um cenário prospectivo de forte deterioração com previsão do preço do dólar atingir R$ 5,00 ou mais.

Na outra ponta, fundos de investimentos e bancos construíram posições vendidas da mesma ordem e, em silêncio, confiavam na insustentabilidade do movimento especulativo, já que era carente de fundamentos críveis.

O BC com a sua expansiva venda de swaps cambiais em junho de certa forma colaborou para o surgimento do “comprado não hedge”, que fez destes contratos parte do seu estoque para fins especulativos.

Então ocorreu o que vimos, e poucos, muito poucos, alertaram para a incoerência do movimento de especulação e, a mídia repercutia o fato sem entrar no âmago da questão.

Embora o BC disponibilize todos os dados das contas externas poucos têm o hábito de observá-las com acurácia, o que se tivesse ocorrido não teria permitido a exacerbação do preço do dólar que ocorreu.

Em nossas abordagens sempre salientamos que o preço de equilíbrio do dólar é R$ 3,80, admitindo que pudesse ficar em R$ 3,90 até antes da eleição e em seguida cair. O Boletim Focus andou um pouco distante, mas depois centrou-se em R$ 3,80 e mais recentemente em R$ 3,89.

Um detalhe importante que não foi observado, mas que era relevante. Os bancos estão vendidos no mercado futuro de dólar e eles são os autores das projeções para o preço da moeda americana que surge como mediana no Boletim FOCUS. Estava bastante evidente qual era a crença.

É notório que o BC pecou pelo silêncio. Na medida em que agiu corretamente, até porque certamente sabia o que estava ocorrendo, ao não intervir no mercado de câmbio com ofertas de contratos de swaps cambiais e com oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra de forma incisiva, até porque efetivamente desnecessárias, pois as demandas por proteção estavam atendidas e não houve fuga de capitais que exigisse que realizasse oferta de liquidez no mercado à vista, errou por não ter mantido “comunicação ativa” com o mercado e através a imprensa salientando a improcedência da valorização do dólar e destacando a sólida situação do país na questão cambial.

A manutenção da taxa SELIC na última reunião foi uma evidente atitude de quem sabia o que estava acontecendo com o dólar, pois se fosse concreto justificaria uma elevação da taxa. Agora, a expectativa para a próxima reunião do COPOM já não referenda uma alta como o mercado sinalizou esperar, mas sim deve ocorrer alguma reversão do impacto inflacionário ocasionado.

Algo simples, pontual, a exemplo do que fez o Prof. Carlos Langoni em entrevista ontem, quando “an passant” ao falar da queda do preço do dólar ressaltou a consistência das contas externas brasileiras.

O intento especulador não conseguiu conduzir o preço da moeda americana além de R$ 4,20 e a partir daí fragilizou-se e sem fundamentos perdeu ímpeto e não teve sustentação.

A distensão final veio com a “aceitação” do mercado pelo candidato Bolsonaro, que lidera as pesquisas e que muitos até acreditam que possa vir a ser eleito no 1º turno.

Importante destacar que o mercado criou inicialmente sua própria convicção a respeito e relegou a segundo plano as pesquisas, quase as desacreditando, passando a observá-las agora quando parecem mais assertivas com a proximidade da eleição, mas ainda assim revelando muitas dúvidas sobre as projeções para um eventual segundo turno.

No câmbio, tudo normal agora! Simples assim!


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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