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Cenário de acirramento ideológico, desgaste das pesquisas, mas dólar poderá ceder

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Esta semana promete forte acirramento ideológico, em especial na mídia e por seus analistas, mas é crescente, como já havíamos salientado dias atrás, a descrença na efetividade das projeções das pesquisas, que exatamente no momento em que deveriam conquistar maior relevância, perdem credibilidade.

Desta forma, haverá uma “cortina de fumaça” encobrindo e relativizando as crenças que possam advir das pesquisas e dos artigos destacando este ou aquele aspecto em torno das eleições.

A disputa, ao que denota o comportamento da sociedade, tende a polarização entre os candidatos Bolsonaro e Haddad, e há muita inconsistência e descrença mesmo sobre os prognósticos para o segundo turno.

O mercado financeiro como centro nervoso dos negócios mais expostos deve conviver com este ambiente, mas a postura deve ser predominantemente defensiva.

Os indicadores devem ter leitura com sensatez, visto que por reproduzirem cautela, perdem efetiva consistência e não serão boas bases para estabelecer projeções imediatas, por serem absolutamente pontuais.

Por isso, é bastante provável que a B3 persista em seu movimento de realizações, contudo sem qualquer insinuação de “sell off”, visto que os investidores estrangeiros, com seus recursos devidamente protegidos com “hedge”, tem mantido postura de “pagar para ver” quem será o próximo Presidente e quais serão suas diretrizes programáticas, visto que até o momento houve muitas declarações abrangentes focadas em fofocas e retrospectivas e com pouca consistência prospectiva, algumas até mirabolantes e reconhecidamente inexequíveis.

O juro tem sido um forte repercussor do quadro atual, agregando elevado prêmio de risco em decorrência da incerteza política e fundamentalmente pelo fato de haver pouca clareza programática dos candidatos ao posto de Presidente, focando a caótica situação da atividade econômica e soluções para a expressiva dívida fiscal, visto que estes são pontos fundamentais para que haja recuperação do emprego, renda e consumo.

O câmbio no período de meados de agosto até o presente foi objeto de forte movimento especulativo, visto que pode ser considerado natural a correção havida antecedente que elevou o preço do dólar do entorno de R$ 3,30 para R$ 3,80. A partir deste parâmetro de R$ 3,80 sofreu forte especulação com o intento de transformá-lo em sensor principal das tensões e incertezas em torno do pleito eleitoral e das perspectivas para o país.

Houve uma ignorância ancorada na predominante desinformação em torno da excelente situação das contas externas brasileiras, que permitiu que se “alimentassem” similaridade com o ano de 2002 e 2008, e que acabou permitindo apreciação do preço da moeda americana neste curto período.

O intento dos especuladores ficou muito aquém do objetivo amplamente enunciado que era de conduzir o preço do dólar ao entorno de R$ 5,00 ou até um pouco mais.

Não houve condições para que alcançassem seus objetivos, e, por ser um movimento sem sustentação na realidade acabou por ter ficado limitado a R$ 4,20 e às vésperas das eleições ter perdido potencialidade de impulsionar o preço, muito pelo contrário, o viés atual tem mais consistência de baixa do que de alta.

Não será surpresa se nesta semana o preço da moeda americana, até surpreendentemente, vier a sofrer depreciação, a despeito do acirramento na discussão sobre a sucessão.

O país não tem sinais de fuga de capitais, chega a surpreender que a B3 tenha registrado aumento de investimentos estrangeiros em setembro, e a saída de investimentos de renda fixa teve movimento de saída em agosto quando o fluxo cambial apontou como retirada de recursos financeiros do país em torno de US$ 10,0 Bi, visto que era certo que o FED elevaria o juro americano em mais 0,25%.

Enfim, esta será uma semana para muita observação e postura defensiva, sem validar eventuais tendências neste ou naquele seguimento, como ensina o provérbio árabe: Não diga tudo o que sabes e não acredite em tudo que ouves!


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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