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Fatores atípicos impactam no dólar. Agora há um cenário novo e contraditório

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O Brasil com suas reservas cambiais volumosas lastreia e dá credibilidade aos contratos de swaps cambiais que coloca no mercado, atualmente o estoque ronda os US$ 70,0 Bi, e, a despeito do BC, corretamente, vir se mantendo ausente da oferta destes instrumentos, o mercado futuro da B3 registra volume forte logo ao início deste mês de setembro de demanda de dólar futuro e cupom cambial.

Contudo, há no centro negocial deste mercado fatores atípicos que impulsionam a taxa da moeda americana e que não é basicamente a demanda normal, mas sim o indelével movimento especulativo que atua alavancando a taxa cambial, e estes movimentos são orquestrados pelos detentores de contratos de “swaps cambiais” adquiridos na oportunidade dos leilões promovidos pelo Banco Central do Brasil, em junho, não focando proteção cambial, mas, sim, dissimulação em aplicações de renda variável, movidos pela expectativa de que seria normal que houvesse pressão sobre o preço da moeda americana às vésperas das eleições.

A solidez e credibilidade dos contratos de swaps cambiais ofertados pelo Banco Central do Brasil lastreado pela exuberância das reservas cambiais detidas pelo país, ao mesmo tempo em que há plena convicção de que a autoridade monetária brasileira tem total capacidade de geração adequada e sem atropelos de liquidez no mercado à vista em caso de demanda para saída de recursos externos do país, evita que o Brasil tenha os mesmos problemas cambiais que solapam outros países emergentes, e, a rigor, o preço da moeda americana não deveria estar sofrendo pressões altistas, visto que indiscutivelmente não há risco de crise cambial.

Este é o ponto, então porque a taxa do dólar tem um viés acentuado de apreciação neste ambiente de absoluto conforto do país no quesito cambial?

Este fato pontual é que fomenta a percepção de que parte dos contratos de swaps cambiais ofertados pelo BC em junho (CN de 25/06/2018), quando resolveu dar uma demonstração de força intervencionista no mercado de câmbio com relevante volume de oferta deste instrumento de proteção cambial, foi absorvida pelo mercado financeiro não necessariamente como “hedge”, mas sim para formação de posições especulativas desvinculadas de passivos externos, transformando-as em aplicações de renda variável assentadas na certeza de que o preço da moeda americana seria aviltada a partir de agosto, proximidade das eleições, e que atualmente faz estes “players” comprados especulativamente agentes do movimento especulativo presente no mercado.

Evidentemente este movimento que tem promovido a elevação interfere de forma sutil com operações presumivelmente simuladas no mercado criando a espiral altista.

No conjunto do volume de operações fica difícil separar “o joio do trigo”, até porque isto é praticado com elevado refinamento operacional que torna a ação sutil e quase imperceptível.

Especuladores são hábeis e extremamente ágeis.

Por isso, o comportamento da taxa cambial é pouco ou nada sensível a eventual oferta de contratos de swaps cambiais por parte do Banco Central do Brasil, que deveria isto sim, acentuar a sua capacidade de comunicação com o mercado e por que não com a população em geral, expondo a confortável situação do país na questão cambial e a total falta de procedência e fundamentos que possam dar suporte ao movimento de exacerbação da taxa cambial.

A ação com a palavra neste momento seria mais eficaz do que a ação operacional que será ineficaz de forma sustentável na contenção da alta, e como já nominamos, corresponderá a “enxugar gelo”.

Não há fuga de capitais estrangeiros do país, os investidores na Bovespa estão protegidos com “hedge” e só tenderão a acentuar movimento de saída se as perspectivas em relação às eleições consolidarem sinalização de eventual eleição de candidato não comprometido com reformas e desprovido de condições para implementar diretrizes que possam restabelecer a dinâmica da atividade econômica, superação da severa crise fiscal, redução do desemprego, melhora de renda, etc..., enfim um cenário benigno.

Do ponto de vista cambial não há razões para que saiam correndo do país, a exemplo do que já ocorreu e vem ocorrendo em alguns países emergentes.

O volume de saídas financeiras do país voltou a se acentuar, como destacamos dias atrás, beirando os US$ 10,0 Bi, menor somente em relação a março deste ano, mas há dados disponíveis que sinalizam que grande parte são recursos estrangeiros oriundos de aplicações em carteira.

Este movimento não pode ser considerado atípico, visto que, embora os recursos estejam protegidos por “hedge cambial”, há uma certeza de que o FED americano elevará a taxa de juro americana no mínimo em 0,25% neste mês e assim, de forma natural e sem que represente aversão rigorosa ao risco Brasil, a migração, o retorno, para o mercado americano é consequência do fato, aliás, como ocorre em grande parte do mundo.

O importante é, primeiramente, não se permita o contágio interno da péssima situação da atividade econômica e suas consequências diretas com o contexto cambial do Brasil. Pode parecer um contraditório, mas o país seja qual for o Presidente eleito não perderá a sua solidez que o deixa imune a uma crise cambial.

E, também, que as autoridades monetárias brasileiras tenham uma participação mais ativa e eficaz na propagação/comunicação deste quadro favorável, quase único do país, sempre que tentarem confundir o Brasil com Argentina, Turquia, etc....

Agora o atentado ao candidato Bolsonaro cria um fato novo e reações contraditórias.

Grande parte do mercado esperava que o dólar fosse apreciado e a Bolsa revelasse queda.

Contraditoriamente, ocorreu o inverso e será necessário observar este comportamento, que pode insinuar que o entendimento possa significar fragilização da esquerda política e favoreça a direita, e também contraditoriamente, que na visão dos “players” do mercado a rejeição ao candidato agredido não tão explícita quanto posto nas pesquisas.

Este fato comportamental poderá fragilizar o movimento especulativo no mercado de dólar pelo entendimento que estaria sendo sinalizado, o que tira força dos especuladores.

Enfim, os movimentos ainda são muito prematuros e serão necessários alguns dias para que se tenha visão mais concreta, mas de toda forma o impacto no preço do dólar foi muito imediato.

Continuamos com a nossa projeção de que o preço do dólar ao final do ano estará no entorno de R$ 3,80,o que dependendo do contexto com o fato novo, pela sinalização imediata do mercado, possa ocorrer antes.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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