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Mercado está num “corner”. Que direção seguir face à complexidade dos vetores?

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O Brasil está entrando num momento ímpar e parece que os players do mercado em seus diversos segmentos estão num “corner”, pois há tantas incertezas e dúvidas presentes e que agregam novos fatos de peso cotidianamente que incrementam a insegurança sobre que decisão assumir, que direção buscar, enfim, que impedem a definição sobre qual a decisão sobre a postura mais correta ante o cenário nebuloso neste momento brasileiro e sua perspectiva. Eis a questão!

Ocorre um hiato rapidíssimo que impõe a reflexão com extrema acurácia sobre qual é a realidade brasileira no momento.

Visão mais rigorosa sobre o “status quo” da dinâmica da atividade econômica e suas perspectivas de recuperação no médio prazo não parecem ser tão alvissareiras quanto os anseios e ilações costumeiramente colocadas. O quadro parece muito mais desafiador.

A crise fiscal em processo constante evolutivo deixa latente que reversão no curto prazo é apenas visionário, o país precisará de mais tempo, 3 ou 4 anos de forma otimista, para dar algum sinal de reversão neste perversos contexto que exigirá crescimento da atividade econômica dantesca para impulsionar o PIB e robustecer as receitas do governo central e por que não estaduais e municipais, todos acometidos do mesmo mal.

O desemprego de 13 milhões de brasileiros é desalentador, quando se sabe que a reposição possível não será nunca mais de 1 para cada 1 emprego perdido, mas provavelmente e otimistamente de 2 em cada 3 vagas suprimidas. Isto torna o desafio mais grandioso e sem crescimento econômico não há perspectiva de recuperação. Do sucesso na recuperação do emprego depende o crescimento da renda e do consumo, que impulsiona a economia, num desafio ambíguo como o do ovo e da galinha, o que vem primeiro?

A realidade assusta e as perspectivas em torno da sucessão presidencial não trazem o necessário alento à perspectiva de superação deste quadro desafiador no curto/médio prazos.

Pesquisas recentes, como a da CNT/MDA divulgada ontem, recomendam ainda mais cautela por parte dos segmentos do mercado financeiro. Há riscos em perspectiva de mudanças surpreendentes e contrárias às expectativas no cenário político sucessório.

É absolutamente necessário que se intensifique a análise crítica das perspectivas, seus desafios, perspectivas reais, e, a partir daí então se alterem as posturas perante quadro tão nefastos internos, despertando para a dura realidade de que os problemas do Brasil estão em enorme dimensão aqui mesmo e não em Wall Street ou nos confrontos entre Estados Unidos e China e outros parceiros.

O fluxo cambial divulgado hoje pelo BC evidencia que o mês de julho fechou positivo em US$.5,902 Bi, sendo US$ 1,128 Bi comercial e US$ 4,774 financeiro. Os bancos fecharam o mês com posições compradas no montante de US$ 4,659 Bi e ainda tem um colchão adicional de linhas de financiamento tomadas do BC no montante de US$ 2,150 Bi, o que lhes dá um conforto de US$ 6,8 Bi para acolher aumento de demanda no mercado a vista, deixando evidente que o BC não tem necessidade de incrementar, por enquanto, oferta de linhas de financiamento de moeda estrangeira com recompra.

Contudo, agosto nos 3 primeiros dias apresenta fluxo negativo total de US$ 524,0 Mi, sendo US$ 61,0 comercial e US$ 463,0 Mi financeiro.

Nossa expectativa é de que gradualmente o fluxo financeiro neste mês se acentue negativo, face à intensificação de saída de recursos dos estrangeiros.

Embora pareça haver relutância em adequar-se ao contexto mais conturbado em perspectiva, que parece estar sendo subestimado, torna-se imperativo maior cautela operacional, nos parecendo inevitável que ocorram os ajustes imprescindíveis de posições por parte dos players, e isto causará volatilidade mas com viés de baixa na Bovespa, com realização de resultados por parte de estrangeiros e nacionais, e retorno do dólar ao preço de equilíbrio de R$ 3,80, com certa pressão sobre o juro, que certamente tirará o BC do estado de conforto que transpareceu no escrito na mais recente ata do Copom.

Urge que o mercado sancione postura cautelar ante cenário prospectivo pouco confortável e seus players adotem maior grau de sensatez e gradual acomodação de seus posicionamentos, evitando assim que o tenham que fazer mais adiante, de forma abrupta e desestabilizadora.

A saída do “corner” em que os segmentos do mercado estão envoltos exigirá realismo absoluto, afastando ilações e anseios não fundamentados.

 


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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