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Câmbio: BC deve assistir e não intervir. Predominam fundamentos e o imponderável!

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Temos destacado que o BC agora está com a estratégia correta e completa de intervenção no mercado de câmbio, havendo a convicção de que ocorrendo demanda por proteção cambial e/ou necessidade de liquidez no mercado à vista, estará pronto a suprir ambas as pontas.

Este claro propósito deixa evidente que o país não tem riscos de vir a enfrentar uma crise cambial, visto que tem mecanismos operacionais apropriados ancorados num montante relevante de reservas cambiais, sem que, contudo, precise reduzi-las com sua atuação de intervenção, que é bastante técnica operacional.

É notório e perceptível que ao início das repercussões mais intensas sobre os países emergentes e por consequência sobre as moedas emergentes frente ao dólar, que impôs forte impacto no mercado global, o nosso BC, que tem vantagens relativas sobre os demais BC´s dos países emergentes, cometeu erro na estratégia pela qual optou com grande alarde, a despeito de tê-la cognominada de discricionária.

Calibrou mal o volume de oferta de swaps cambiais, operação que fixa uma ponta da taxa cambial e deixa a outra a fixar na liquidação da operação, versus juros na contrapartida, o fazendo em expressivo montante que acreditamos muito superior a demanda efetiva por proteção, permitindo que com seus prévios anúncios de montantes exacerbados motivasse movimento especulativo que conduziu a operação à característica de uma operação financeira de renda variável, desconectada a qualquer tipo de proteção a risco exposto em moeda estrangeira.

Por outro lado, deixou de ofertar em concomitância com aquela iniciativa e ao mesmo tempo leilão de oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra, fundamentalmente como ATITUDE focando a liquidez do mercado à vista, embora não havendo demanda efetiva naquele momento, mas deixando clara a atitude de afastar qualquer tipo de especulação no sentido de que o país pudesse vir a ter crise cambial, e até e principalmente pelo fato deste tipo de operação estabelecer a taxa cambial nas duas pontas, venda e compra, e entre as mesmas há o juros, que permitiria também certo monitoramento mais abrangente.

Por fim, após a excessiva oferta de swaps, dita discricionária, mas previamente delineada, o que permitiu que a formação da taxa cambial ficasse à mercê dos tomadores e não do BC, como até chegou a ser interpretada a consequência, houve a interrupção da “roda viva” estabelecida.

Então o BC resolveu adotar a ação conjunta corretíssima de evidenciar para o mercado de câmbio e assim agir o início da ação com dupla utilização dos instrumentos de intervenção – swaps cambiais e oferta de linhas de financiamentos em moedas estrangeiras com recompra, com postura realmente discricionária sem pré anunciar novos volumes, etc..... e, também fato relevante, deixou evidente que não seria mais preditivo na projeção das futuras ações em torno da SELIC.

Houve tão somente um ponto questionável, qual seja o do BC afirmar que não há uma relação mecânica entre o juro e o câmbio, o que na realidade é um sofisma, já que estes dois pontos tem uma imperativa sinergia no mundo financeiro global, e, caso admitisse como seria natural, imporia que elevasse a taxa SELIC pelo menos 2 pontos, para sustentar a moeda nacional. Mas, a SELIC baixa é um “troféu” deste governo.

Enfim, doravante tudo como deve ser feito, observando e agindo.

Então por que o dólar sofre pressão de alta e o BC não intervém?

Porque o BC só deve intervir quando o conjunto de fatores que impactam na formação do preço da moeda americana é susceptível de alcance por suas medidas.

No caso presente, temos os nossos fundamentos abalados pelo desempenho fragilizado da economia, crise fiscal em dinâmica de maior agravamento, insegurança jurídica e um tamanho imbróglio político e uma irrefutável pressão inflacionária como efeito secundário da elevação do preço do dólar, por vezes argutamente utilizando a greve dos caminhoneiros como causa num claro “escape”.

As questões internas do Brasil dependem de outros fatores e não dependem diretamente da ação incisiva do BC, e em escala quase nula na sua capacidade de conter os impactos na formação do preço da moeda americana.

Os fundamentos econômico-político-jurídico pesam e agravam os riscos do país, tendo ontem o CDS (risco de calote) atingido 275 pontos, subiu ontem algo como 0,70%.

Por outro lado, há os impactos imponderáveis que advém da tensão externa em torno dos enfrentamentos comerciais proporcionados por iniciativa do governo Trump, que poderá ainda acarretar a intensificação das consequências. Na incerteza e insegurança os recursos tendem a fluir para os mercados de menor risco e o mercado americano é sempre a opção maior, o que provoca a valorização do dólar como ontem 0,70% frente a cesta de moedas, afora o fato do desempenho da economia americana estar sinalizando elevação do juro, que por si só catalisa capitais do mundo todo.

Então, inalcançáveis por medidas diretas do BC as consequências da fragilidade dos nossos fundamentos e os fatores imponderáveis do cenário externo, o BC que tem a capacidade de prover de liquidez o nosso mercado de câmbio é incapaz de conter a pressão de alta fundamentada.

Assim, cabe ao BC coibir somente eventuais movimentos especulativos e no mais:

ASSISTIR E NÃO INTERVIR!!!


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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