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Ainda que tardia estratégia do BC no câmbio é correta, o restante é o imponderável

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Em nosso entendimento o BC errou o “timing” para disponibilizar todas as ferramentas na intervenção no câmbio de forma positiva, ou seja, evidenciando que o país não tem mínimo risco de ter uma crise cambial, a despeito de ter um contexto econômico, com destaque ao fiscal, e político bastante antagônico a esta situação, que se revela como um expressivo contraditório.

Esta dualidade com realidades opostas entre si deveria ter sido fortalecida pela BC, visto que ao centrar toda sua intervenção com contratos de swaps cambiais acabou por extrapolar a efetiva demanda por proteção que acabou por estimular a instalação de movimento especulativo forte, considerando que nas transações de swaps fixa a taxa cambial de início da vigência da transação, mas deixa em aberto a taxa cambial para liquidação que será a da data da liquidação, naturalmente tendo na contraposição a remuneração de juro, e assim acaba ocorrendo movimento volátil nas ocasiões das ofertas destes contratos deprimindo a taxa cambial e deixando em aberto a oportunidade de forte elevação especulativa da mesma nas proximidades dos vencimentos das operações.

Desde a semana passada, redimiu-se da imperfeição na intervenção e entrou com a oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra, uma ação com que supre a liquidez do mercado à vista e que afora isto expressa ATITUDE contundente que afasta qualquer abordagem menos favorável por analistas nacionais, que às vezes ainda confundem swaps com venda de moeda efetiva com impacto nas reservas cambiais e assim entendem também erraticamente as operações de financiamento de linhas com recompra que consideram dispêndio de reservas sem retorno, e analistas estrangeiros que tentam criar sinergia entre o status do Brasil e a crise cambial argentina, turca, etc...

O BC dispõe de instrumentos operacionais que utilizam as reservas como lastro, sem, contudo, reduzi-las. Nas operações de linhas mantém as reservas no conceito de liquidez internacional intactas e no conceito de liquidez por caixa com uma redução, mas com o retorno a receber.

Agora o BC opera com a estratégia correta, sendo impensável a hipótese de venda efetiva de moeda estrangeira de suas reservas por absolutamente desnecessário no momento, e proporcionará doravante, se observar com rigor a existência de demanda por proteção, que não é o caso atual visto que o mercado aparenta estar sobreprotegido, novos contratos de swaps e deverá irrigar a liquidez do mercado à vista, com oferta de linhas, visto que é absolutamente presumível a intensificação de saída de recursos estrangeiros do país.

Com isto o BC faz a sua parte de forma correta, porém o restante que se consubstancia nos fundamentos reais decorrentes de fatores externos e internos é o imponderável, e que pode impactar sobre a formação do preço da moeda americana no nosso mercado como algo indefensável e frente ao qual o BC deve agir com serenidade, até mesmo sem ter instrumentos de reação.

O cenário externo está cada vez mais pessimista. A valorização intensa do dólar frente às demais moedas do circuito global e mais severos sobre as moedas dos países emergentes é algo que se potencializa, e o acirramento da guerra comercial entre países de grande relevância econômica no cenário provoca fortes perturbações e estímulo ao desalento.

Afora questões geopolíticas ainda persistentes, o confronto comercial Estados Unidos versus China é altamente preocupante, pois além da questão comercial com intensas retaliações, há a realidade de que o Banco do Povo chinês é o grande financiador do Tesouro americano, e a China já sinaliza que poderá interromper sua demanda dos T-Bonds.

O BCE vem dando mostras de que tem a percepção de aumento de riscos para o crescimento global.

A apreciação do dólar frente às moedas emergentes deve ser consistente e isto é altamente preocupante.

E no caso brasileiro este cenário externo que já se revela altamente preocupante e tende a se acentuar, ocorre num momento em que a economia brasileira passa por rigorosa reavaliação de suas perspectivas e o cenário político tem ambiente de elevada indefinição.

No RTI divulgado pelo BC hoje a autoridade monetária reduziu bruscamente a sua projeção de crescimento do PIB para este ano de 2,6% para 1,6%, colocando como uma das causas a greve dos caminhoneiros, mas no nosso entendimento esta atribuição é simplesmente um “escape”, visto que já era notória a decadência da atividade econômica, e, revê a projeção para o IPCA agora 4,2%, que vinha sendo mitigada embora perceptível pela sociedade o seu aquecimento, e que pode ir além pois será inevitável que a alta do preço do dólar provoque impactos secundários em todos preços da economia.

Complementarmente, o país convive com um ambiente de insegurança jurídica que pode agregar mais pressão sobre a perspectiva sobre a eleição sucessória presidencial que tem um ambiente bastante desalentador no momento e pode se agravar.

Será absolutamente necessário que o BOLETIM FOCUS, que contempla as projeções medianas do mercado financeiro, reveja suas indicações compatibilizando-as, no mínimo, com o contexto do RTI do BC, mas há indicativos que permite até que haja maior rigor.

Então, o que se espera é que o BC seja contundente na oferta de linhas de financiamento de moeda estrangeira com recompra suprindo desta forma a liquidez do mercado a vista, onde deve ocorrer a intensificação de saída de recursos estrangeiros que estavam na Bovespa e no mercado de renda fixa, que tendem a retornar ao mercado americano.

A pressão de demanda será inexorável, o preço da moeda americana deve sofrer impactos, mas a ação de irrigação de liquidez por parte do BC pode ter influência na contenção das exacerbações já que estabelece preço de venda a vista e recompra futura, que são parâmetros relevantes.

Afora isto, restará, como afirmamos, o imponderável.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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