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Ação do BC repercutiu, mas sustentabilidade é frágil. Perspectiva Brasil é ruim!

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O intempestivo anúncio e ação de forte enfrentamento ao movimento de apreciação consistente do dólar ante o real realizado pelo BC provocou, no primeiro momento, expressiva mudança no comportamento e impôs desvalorização de pouco mais de 5% ao preço praticado da moeda americana.

Há duas hipóteses, no nosso ponto de vista, para se entender o anuncio do BC.

Primeiro nos pareceu tardio e ainda incompleto, pois deveria ofertar conjuntamente linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra, e a leitura em torno do volume anunciado deixou a exata dimensão do grau de preocupação da autoridade monetária de que a dinâmica da alta seja dotada de fatores de impulsão de difícil reversão.

Segundo, a despeito do resultado imediato, não estamos convictos de que obtenha sucesso na reversão de forma sustentável, visto que o cenário atual e bastante agravado em visão prospectiva compõem ambiente amplamente desfavorável para a economia como um todo e o incrementa o amplo desconforto em torno da sucessão presidencial.

Poderá ocorrer forte volatilidade.

Entendemos que estratégias focando conter atipicidades na formação do preço devem se basear mais nas estratégias, dependem mais do jeito e menos da força, que mesmo que utilizada não deve ser pré-anunciada.

A oferta de linhas de financiamentos em moeda estrangeira com recompra, ainda que o BC não detecte pressão de demanda no mercado a vista a nível preocupante, deveria ser efetiva e não somente ventilada, para que a intervenção fosse completa.

A volúpia entre o anúncio e a ação de intervenção, sabendo-se o montante que poderá ser disponibilizado, leva o mercado a estabelecer estratégia de melhor desempenho na absorção das ofertas de “swaps cambiais”, e a inicial é deprimir a taxa da moeda americana para obter melhores resultados.

Ressalte-se ainda que o custo do “swap cambial” está bastante baixo, o que motiva a proteção não só dos compromissos comerciais e/ou financeiros, mas avançando também para a proteção dos ativos decorrentes dos investimentos em conta capital, tendo em vista a deterioração do cenário prospectivo da economia, a preocupante situação da crise fiscal que atravessa o país e as preocupantes possibilidades reais do país não eleger um presidente com foco reformista ser cada vez mais preocupantes.

O Brasil e sua realidade já podia ser antevisto desde o final de março, pois sinalizava que a economia “patinava” fortemente, decepcionando as projeções otimistas formuladas a respeito do desempenho geral do país no ano. O risco Brasil já sinalizava agravamento, então, a crise dos caminhoneiros em maio acabou por “trazer a valor presente” toda a crise que estava como “futura” e que vinha sendo empurrada na percepção, embora já estivesse presente, para a proximidade das eleições.

Então teve início a abrupta mudança nos preços dos ativos, juros e perspectivas em torno do desapontamento com a perspectiva para o PIB, que foi observada pelo BC que não reduziu a taxa SELIC, que vinha sendo fortemente orquestrada pelo mercado, a partir do Boletim FOCUS, que fazia “vista grossa” à nova realidade posta em evidência.

Concomitantemente, fatores externos adversos aos países emergentes contribuíram para a piora do cenário para o país, que viveu momento extremamente benigno em razão da excepcional liquidez do mercado internacional, e até se deixou contaminar confundindo com o contexto interno.

Pontificou a efetividade da severa crise fiscal com que se depara o país, a fragilidade do governo sem apoio político, perturbações e conturbações negociais e maior percepção de que a inflação está voltando pelos indicadores IGP-DI e IGP-M, sendo que o mais recente dado deste indicador, 1ª prévia de junho, de 1,50%, enquanto de forma quase incrédula o IPCA, inflação oficial, parece não detectar bem as variações de preços que vem ocorrendo e que atingem a população de forma intensa.

“Caiu a ficha” sobre a realidade e implacavelmente a projeção do PIB que fora 3% já está sendo projetada entre 1,0% e 1,5%.

O Boletim FOCUS divulgado hoje continua sinalizando que está “atrás da curva” nas projeções, que são bastante díspares em relação às opiniões que vem sendo expressas até mesmo pelos economistas ligados ao sistema financeiro.

Tudo leva a crer que se intensificarão as saídas dos estrangeiros da Bovespa, o que, em tese, pressionará o mercado de câmbio a vista e exigirá que, finalmente, o BC realize oferta de linhas de financiamento em moedas estrangeiras com recompra.

A situação brasileira tem uma dualidade relevante neste momento. O país não tem risco de crise cambial, já que tem mecanismos para gerar liquidez na busca de proteção e no mercado a vista, face a expressividade de suas reservas cambiais, mas ao mesmo tempo tem um contexto econômico e político amplamente deteriorado que faz com que ocorra forte aversão ao seu risco, o que desvaloriza de forma consistente sua moeda e saída de investidores da Bovespa e do mercado de renda fixa, onde o juro de longo prazo têm níveis de taxas altamente preocupantes.

Tudo leva a crer que a volatilidade se acentuará de forma intensa, mas o dólar manterá o seu viés de alta e a Bovespa de baixa.


 Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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