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Pressões negativas internas e externas impactam sobre ativos brasileiros!

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A conjunção de fatores internos que  anteciparam no tempo a percepção mais rigorosa do “status quo” negativo da economia brasileira e das incertezas e dúvidas no ambiente eleitoral, e que,  em perspectiva deveriam ganhar destaque somente no auge da efervescência das disputas eleitorais, e ocorrendo em concomitância a retomada de fatores externos a partir da economia americana que haviam sido arrefecidos e retornam a cena com contundência, esta impactando sobre o mercado financeiro brasileiro, causando forte desalinhamento nos preços dos ativos brasileiros e na política monetária, sugerindo necessidade de mudanças nas diretrizes da gestão.

Onde parecia tudo organizado e previsível, embora com um olhar frágil quanto a realidades pouco alvissareiras em perspectiva já presentes, ocorreu um abrupto e rápido impacto provocando consistente desarranjo no mercado financeiro de difícil equacionamento por parte do BC e do Tesouro Nacional.

Desde abril com evidência de forte crescimento da economia americana que poderia determinar ação mais contundente do FED americano na política monetária com ênfase ao juro e com foco na aceleração da inflação, o juro dos T-Bonds de 10 anos sinalizou taxas em torno de 3%, prenúncio de que o “fly to quality” dos recursos estrangeiros investidos nos países emergentes, ou seja,  o refluxo destes capitais na direção do mercado americano.

Os emergentes sentiram os impactos em seus mercados, cada um de forma compatível com as suas estruturas operacionais. O Brasil por ter um mercado financeiro mais sofisticado não sofreu o movimento de saída de recursos estrangeiros de imediato, mas houve um forte movimento de busca de proteção cambial e isto pressionou a taxa cambial futura elevando-a entre 1º de abril e 31 de maio de R$ 3,3098 para R$ 3,7364, o que contaminou naturalmente o preço da moeda americana no mercado à vista.

A perspectiva era de uma inevitável saída tendo em vista que o risco Brasil já vinha se acentuando e capturado pelo CDS que entrou em alta, mas de forma ordenada para evitar um “sell off” na Bovespa, e também por ser público que o Brasil não está sujeito a crise cambial, pois tem reservas cambiais suficientes e instrumentos apropriados para o BC irrigar a liquidez do mercado de câmbio a vista.

O BC denotou estar até à frente das percepções do mercado e não reduziu a taxa SELIC como era esperado, tendo em vista que não era recomendável face à rápida mudança ocorrida do cenário, e isto causou um impacto desarranjador no mercado que estava posicionado e convicto de que a redução era certa.

Contudo, à margem da recente crise dos caminhoneiros foi  “colocada a nu” a real situação da economia brasileira cadente, aflorou o problema da grave crise fiscal, fragilidade do governo,  etc. etc. já que este tema tem sido exaustivamente abordado, implicando em drástica revisão da projeção do PIB, que já vinha sendo detectada.

E neste momento já bastante negativo para o Brasil devido ao sentimento de piora interna e muitas dúvidas e incertezas, eis que as pressões advindas do mercado americano,  que haviam sido atenuadas e que provocaram a queda do juro dos T-Bond de 10 anos para algo como 2,75% ao final de maio, voltaram a cena com o retorno da percepção do forte crescimento da economia americana com números de queda do desemprego, crescimento da indústria, etc...,  sinalizando que a inflação pode superar os 2% que é o ponto de equilíbrio do FED, e então o juro do T-Bond de 10 anos voltou a subir até quase os 3%. Então voltou a predominar o sentimento de que poderá ocorrer maior rigor por parte do FED na política monetária realizando 3 ou 4 elevações este ano.

E ao que parece pela manifestação de membros do FED não há muita preocupação com os efeitos colaterais que poderá causar nos emergentes.

No Brasil a pressão ocorre no juro de longo prazo, já se admite inflação e necessidade de elevação do juro SELIC seja por isto seja pela forte tendência de elevação do preço do dólar, que se saliente  vinha sendo mantido em níveis incompatíveis com a realidade brasileira, enfim criou uma séria conturbação de dificílima gestão por parte do BC, que conta até com a cooperação do Tesouro Nacional.

A Bovespa que deveria ter um processo de saída dos investidores estrangeiros gradual, até porque estão “hedge”, denota mudança abrupta do humor dos investidores estrangeiros que sinalizam que detonaram o movimento de saída.

O preço da moeda americana sofre grande pressão de alta, e nos parece que a despeito de outros fatores presentes, a ação do BC somente com a oferta maciça de “swaps cambiais” não contém o ímpeto da alta, sendo necessária a irrigação da liquidez no mercado a vista para dar suporte à saída dos recursos estrangeiros.

Atuar somente com a oferta de “swaps cambiais” transparece que o BC está com a percepção de que há um ataque especulativo sobre o real, mas este enfrentamento pode se tornar desgastante, sendo recomendável que a autoridade monetária atue irrigando a liquidez no mercado de câmbio à vista.

Tecnicamente não haveria ambiente no Brasil para um ataque especulativo, visto que o país com suas reservas cambiais e os instrumentos derivativos e de incremento de liquidez no mercado a vista de dólares, está muito bem defendido.

Por isso, entendemos fundamental que o BC altere sua política de intervenção mixando a oferta de swaps cambiais com a oferta de linhas de financiamento de moeda estrangeira com recompra, criando um cenário de liquidez para proteção e para a saída de recursos.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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