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Espasmo de recuperação insustentável. Cenário tende piorar. BC deve ofertar linhas

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O mercado financeiro, em especial Bovespa e câmbio, tiveram ontem um comportamento absolutamente desalinhado com as perspectivas de curto e médio prazo que são bastante negativas e as dúvidas e incertezas tendem a se acentuar seja quanto a estagnação da atividade econômica que conduzirá a projeção do PIB deste ano a patamar abaixo de 2%, seja pelo imbróglio em torno da sucessão presidencial que não permite otimismo neste momento e vem provocando forte pressão desfavorável, perceptível a partir da observação do comportamento do juro de longo prazo em viés de alta, mesmo com a participação do Tesouro.

A Bovespa se sustentou ontem com a expressiva alta dos papéis da Petrobrás, que, contudo,  não é tendência efetiva já que o seu entorno está eivado de vulnerabilidades, na medida em que o governo não encontra solução para os preços dos combustíveis. É relevante que não ocorra alteração na política de preços, mas se tornar o reajuste mensal pode impactar em resultados da empresa se houver flutuação elevada durante o mês, mesmo que adote como referência um preço médio.

A melhor solução seria alterar a formulação dos tributos de arrecadatório para regulatório, tornando-os flexíveis em razão da queda ou elevação do preço na refinaria, mas isto é quase impossível face ao modelo da arrecadação dos tributos muito centralizado pelo governo federal e poderia criar atritos com os estados.

A “receptividade” dos postos de combustíveis e, também e ao que parece principalmente, das distribuidoras está longe das expectativas do governo, havendo pouca obediência à redução de preço do diesel, e isto poderá reativar o movimento reivindicatório causando novas perturbações.

Enfim, deixando o problema Petrobrás, preços do diesel e o cumprimento dos acordos à margem, o que se vislumbra em perspectiva não sugere otimismo.

Os estrangeiros estão em retirada da Bovespa e isto fica evidente pela saída de R$ 8,43 Bi em maio, algo como US$ 2,4 Bi se considerada taxa média do preço do dólar no mês, o que pode ser considerado ainda um pequeno volume, que certamente será incrementado de forma mais intensa neste mês de junho, já que a tendência está instalada.

O tombo só não foi maior porque os investidores institucionais e as pessoas físicas nacionais aumentaram suas compras. É ilusória a suposição de que a melhora do mercado externo repercuta aqui no Brasil, visto que agora convivemos com os nossos problemas e já não fluem recursos estrangeiros como até recentemente.

A crise deixou evidente a dimensão da crise fiscal com que se defronta o governo, portanto o país, não havendo dúvidas de que o aperto é enorme, e que torna evidente que haverá sérias dificuldades para a elaboração do orçamento de 2019 e isto acentua o negativismo quando, até o momento, não se vislumbra candidato a sucessão presidencial com perfil reformista, já que sem a implementação de reformas fundamentais a crise fiscal toma dimensões altamente preocupantes.

Embora o BC venha irrigando o mercado futuro com a oferta contundente de proteção com os swaps cambiais, acreditamos que este instrumento perderá eficácia pois com o incremento da tendência de saída dos recursos estrangeiros do mercado financeiro, a demanda se acentuará no mercado a vista de dólar.

Temos destacado que haverá esta necessidade de ação por parte do BC, podendo diminuir a oferta de swaps cambiais e mixá-la com a oferta de liquidez com o leilão de linhas de financiamento em moeda estrangeira com compromisso de recompra, antecipando-se a pressão de demanda para atenuar o viés de alta e a volatilidade.

Temos então, um contexto prospectivo que sugere perda de atividade econômica com trava de investimentos pelo setor produtivo (a indústria cresceu 1,5% em abril, mas a capacidade utilizada permaneceu estável) dado às incertezas e por haver ainda enorme capacidade ociosa. Com isto não se espera que haja recuperação do emprego, da renda e do consumo.

A crise fiscal é latente e ficou soberbamente visível e perceptível na estratégia de acomodação da crise, que por sua vez trouxe malefícios relevantes a outros setores da economia brasileira.

A Bovespa deve ter um movimento de realização de resultados por parte dos estrangeiros, seja pela forte percepção da efetiva situação econômica e fiscal do país, seja pelas perspectivas nada otimistas em torno da sucessão presidencial, ou ainda pela perda efetiva de atratividade pelo Brasil, decorrente da elevação do seu risco e baixo diferencial de juro.

O câmbio deve sofrer pressão no mercado a vista, após a intensa demanda que sofreu no mercado futuro que elevou a taxa do dólar de R$ 3,3098 em 1º de abril a R$ 3,4805 em 30 do mesmo mês, em que quando um aumento de câmbio comprado futuro de US$ 2,0 Bi para US$ 14,0 Bi e para R$ 3,7364 ao final de maio, numa trajetória de alta de 12,9%. Tudo sugere que o volume de investimentos estrangeiros no mercado financeiro agora esteja com “hedge”, já que foram surpreendidos ao início de abril e a busca abrupta de proteção impactou fortemente na alta do preço da moeda americana.

A suposição de que o maior volume está com “hedge” é que, no nosso entender, tem  permitido certa acomodação no entorno de R$ 3,70/3,75, mas se o governo não agir rapidamente com a oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra, e a demanda se deslocar  para o mercado a vista, a taxa cambial poderá ser pressionada e ir além dos níveis praticados até ontem.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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