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Volatilidade: Dólar com viés firme de alta e Bovespa com viés moderado de baixa!

O cenário prospectivo de curto prazo evidencia uma tendência firme, tendo o preço do dólar com viés firme de alta frente ao real, embora com volatilidade decorrente da intervenção não frontal do BC, procurando ‘amortecer”, dentro do possível, para que a alta não ocorra de forma intensa e abrupta, sancionando a correta percepção de que há fundamentos para o comportamento do preço da moeda.

Fatores externos sabidamente conhecidos sustentam e dão suporte às perspectivas de fortalecimento do dólar perante as moedas globais, com ênfase mais acentuado ante às moedas emergentes, impactando nos seus riscos, no caso brasileiro alterando a longa tendência de baixa.

O CDS Brasil de 5 anos está com consistente tendência de alta oscilando no momento no entorno de 200 pontos, podendo ir além, após uma mínima no ano de 142 pontos, o que representa uma elevação de 30%, estando 72 pontos acima do risco do México, que também é emergente.

Com este movimento altista do CDS ampliou-se a visão global e interna mais rigorosa no entorno do Brasil, destacando a sua preocupante situação fiscal e a incapacidade do governo de ter consolidado as imprescindíveis reformas, com ênfase à da Previdência.

A contundência dos fatores externos que a partir da dinâmica positiva da economia americana cria perspectivas inflacionárias, e, um cenário que conduz à crença de que o FED seja mais duro nas medidas monetárias, impondo um número maior de correções da taxa de juro, bem como a intensidade das correções, fato que foi antecipado pelo próprio mercado financeiro americano ao “atropelar” no tempo a autoridade monetária e ter conduzido a taxa de juro para os T-Bonds de 10 anos a um patamar acima de 3%, provoca forte reversão nas perspectivas dos países emergentes.

E neste embate com a nova realidade todos têm repercussões na formação dos preços de suas moedas.

O Brasil, um pouco diferente dos demais emergentes, mas não menos exposto ao movimento de depreciação dos preços das moedas, sofre o impacto de forma um pouco diferente. Tendo um mercado financeiro mais sofisticado, a demanda dos detentores de capitais aqui investidos não se direcionou de imediato a saída efetiva dos recursos, mas provocou e provoca forte demanda por proteção dos recursos com as operações de “hedge cambial”, o que provocou a elevação da taxa de câmbio futura e isto acabou por contaminar a taxa do mercado à vista.

Embora seja racionalmente inevitável que o Brasil tenha que suportar a depreciação do preço de sua moeda, o real, tudo poderá ocorrer sem grande desorganização no mercado de câmbio, visto que detendo reservas cambiais suficientes, o BC poderá suprir a liquidez para saída dos recursos do país com linhas de financiamentos em moedas estrangeiras com recompra ao sistema bancário autorizado a operar em câmbio.

A ação do BC, tanto suprindo o mercado com proteção através a oferta de swaps cambiais, tanto com a liquidez efetiva em moeda para dar suporte ao movimento de saída em perspectiva, não deverá confrontar tentando enfrentar a tendência sustentável, mas agindo de forma “profilática” dando o “remédio” de liquidez.

Sabe a autoridade monetária que não poderá conter a tendência que acentuadamente tem pressão externa sobre a qual não tem poder de gestão, mas sabendo também, mesmo que não as propague que há razoáveis aglomerados de dúvidas e incertezas no ambiente interno, com desapontamentos que não lhe cabe dar ênfase e que tem sido silenciado por grande parte do mercado financeiro, mas já percebidos pelo mercado global que elevou o nosso CDS, que envolvem o desempenho da atividade econômica, o problema fiscal, geração de empregos, aumento de renda e consumo, que colocam em risco todo o otimismo que havia sido propagado em torno do Brasil, e que culmina com incertezas preocupantes no entorno da sucessão presidencial.

Acreditamos que as projeções atuais de crescimento do PIB estejam prejudicadas.

É crescente o sentimento de que o ano possa estar sendo encerrado prematuramente nos seus objetivos maiores de recuperação , havendo certo marasmo que afasta o clima positivo gerador de otimismo.

Já não se pode desconsiderar a possibilidade do BC manter a taxa SELIC em 6,5%, e até o entendimento de que persistindo na redução esteja cometendo um erro, ainda que haja um forte consenso por parte do mercado financeiro, que tem sido o grande beneficiário.

A redução acentuará o viés de alta do preço da moeda americana no nosso mercado e impactará na queda já presente de perda de atratividade pelo Brasil dos investidores externos, com ênfase aos especuladores.

O setor de serviços segundo a PMS de março frente fevereiro apurada pelo IBGE revelou recuo de 0,2%, enquanto o indicador de tendência econômica, o IACE Indicador Antecedente da Economia, apurado pela FGV caiu 0,8% em abril.

Muitos economistas atribuem baixo impacto da alta do dólar nos índices inflacionário devido a baixa atividade (enfim reconhecem) da economia, mas este é um fator de elevada contaminação nos preços relativos da economia, e assim, inegavelmente haverá impactos e o IGP-M da primeira leitura de maio em 1,12% já foi uma sinalização forte.

Com esta forte reversão de expectativas, taxa SELIC baixa e juro americano em alta, dólar em alta e consideração maior dos riscos dos emergentes, será natural que a BOVESPA tenda a manter consistente viés de baixa, com alguma volatilidade, acentuando gradualmente de forma consistente no curto/médio prazo a reversão dos recursos externos aqui locados que alavancaram os preços das ações.

Tudo leva a crer que ocorrerá o “fly to quality” dando sustentabilidade a mudança de patamar do preço do dólar e provocando a consistência da queda dos preços das ações na Bovespa.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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