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Pesquisa-sucessão presidencial é somente parte do desfavorável "contexto Brasil"

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O Brasil estava protelando em “olhar” para si próprio, sua dinâmica frágil na economia, na geração de empregos, renda e consumo e na superação da sua traumática situação fiscal, além de todas as questões envolvendo o cenário prospectivo de sucessão presidencial absolutamente incerto, direcionando sistematicamente o foco para todas as causas nas questões externas.

Ancorado em projeções construídas pelo mercado financeiro e propagadas semanalmente pelo Boletim FOCUS, não havia espaço para uma leitura mais crítica sobre o que acontecia e acontece efetivamente no país e que o se constituía puro anseio transfigurado em realidade com grande destaque.

A fragilidade do Brasil, bem como dos emergentes, emergiu de forma inconteste e acentuada dos problemas gerados a partir da economia americana, sua dinâmica mais acentuada, geração de emprego, etc... e que sinalizou aumento da propensão a inflação, que acabou por antecipar a ruptura da visão tranquila e organizada que se tinha da evolução da taxa de juro pelo FED, e a isto se somaram todos os transtornos comerciais e geopolíticos patrocinados pela forma intempestiva e conflituosa do Presidente Trump.

O mercado financeiro americano reagiu e antecipou-se de forma intensa, atropelando as projeções até então presentes, elevando bruscamente a taxa de juro dos T-Bonds, em especial o de 10 anos que é referencial no mundo todo, e superou os 3%.

Esta mudança impactou em todas as economias globais e provocou o “fly to Quality” pressionando as taxas das moedas, em especial e acentuadamente as emergentes, como contrapartida à crescente demanda pelo dólar.

Como já salientamos, o Brasil tem um momento peculiar em que reduz bruscamente a sua taxa referencial SELIC ao mesmo tempo em que a taxa de juro americana está em alta, e isto causa o barateamento do “hedge cambial” e reduz o apetite pelo Brasil na medida em que tira margem de rentabilidade das operações “carry trade”, que dão origem aos recursos especulativos que se direcionam ao Brasil.

Muito embora seja consensual no mercado financeiro que a SELIC deva ser reduzida a 6,25%, continuamos com o nosso ponto de vista que não deveria ser reduzida, pois a inflação, que ainda não captou efetivamente os impactos generalizados da elevação do preço do dólar, já tem sinalizado não estar tão acomodada como pontificada pelo IPCA de abril.

Tendo até o final de março um comportamento da taxa cambial bastante controlado, a demanda de hedge cambial pelos estrangeiros aqui posicionados era bastante discreta. Contudo, percebendo o aumento do risco Brasil colocando em perspectiva impactos diretos apreciando o preço da moeda americana, diferentemente do que aconteceu em outros países emergentes, já que o Brasil tem um mercado de derivativo bastante sofisticado, ocorreu a demanda acentuada por “hedge cambial”, algo como 15 vezes o estoque existente em março, que pressionou a taxa cambial futura e acabou por contaminar a taxa cambial a vista, que respondeu em linha com forte apreciação da moeda americana.

O Brasil deverá ter um movimento de saída de recursos mais intensa, na sequência deste movimento de demanda por “hedge cambial” (proteção), mas o país não terá nenhum problema de liquidez no mercado de câmbio, o BC suprirá a demanda maior com oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira ao sistema bancário autorizado a operar em câmbio, mas como a alta do preço da moeda americana está bem fundamentada em inúmeros fatores que a compatibilizam com o contexto externo e, agora, com as dúvidas, incertezas e realidades do nosso contexto interno, sua intervenção não alterará a tendência de alta do preço.

O fato não será determinante de nenhuma crise cambial no país, mas decorrente de fatores externos, sobre os quais não há como interferir, e fatores internos que compatibilizam o seu preço com a efetiva realidade do país, as circunstâncias sancionará tendência de elevação do preço, que estimamos até R$ 3,75 em meados de agosto próximo.

Por isso, as intervenções do BC tendem a se revelar ineficazes sobre a formação do preço, restando à autoridade atuar contendo eventuais movimentos especulativos e focando a geração de liquidez com seus instrumentos no mercado cambial.

O mundo já nos observa com reticências, nosso CDS (risco de calote), como já falamos semana passada atingiu 200 pontos após a mínima de 142 pontos, 72 pontos acima da atribuída ao México, já pontificam que não houve avanços nas questões das reformas e no cenário insuperável de crise fiscal.

Tudo isto está pesando e na ponta, fomentando incertezas e dúvidas, está a questão da sucessão presidencial, absolutamente nebulosa e indefinida e trazendo até algum desapontamento do eleitorado, que por sua vez contribui para o crescimento da inércia da atividade econômica, postura de precaução, o que e protela decisões sobre investimentos e aumento da atividade econômica.

Há um sentimento de que para este ano “resta a efetiva expectativa sobre quem será o próximo Presidente”, sem o que não há como a economia reagir e tudo irá bem devagar até lá.

Então, é sumamente importante que as projeções para o Brasil 2018 sejam compatibilizadas com a realidade de momento e suas perspectivas, e já começou pela taxa do câmbio, que no nosso entendimento ganhou e se fortalecerá num novo patamar, e na cadeia impactará na inflação, no PIB, no crescimento industrial, enfim na atividade econômica.

Face à isto, é que temos apontado que o BOLETIM FOCUS, ou mais precisamente seus fomentadores de informes, devem pontuar suas projeções com maior rigor.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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