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Fluxo cambial evidencia: Alta do dólar decorre da demanda por “hedge cambial”!

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Números do fluxo cambial de abril deixam evidente de forma incontestável, que a elevação do preço do dólar no Brasil decorre, neste primeiro momento, da intensificação abrupta da demanda por proteção através “hedge cambial” e não por demanda no mercado à vista.

O contexto externo passou a se configurar menos benigno para o Brasil, assim como aos países emergentes, a partir da desenvoltura da economia americana, seus reflexos e atitudes de confrontos comerciais e geopolíticos promovidos pelo Presidente Trump, percepções que se acentuaram a partir do mês de abril e persistem neste início do mês de maio.

Economia dos Estados Unidos ganhando dinamismo, gerando empregos, aumentos de renda e consumo, sinalizando pressões inflacionárias, provocou uma imediata reação do mercado financeiro americano que impactou impondo brusca elevação da taxa de juro dos T-Bonds de 10 anos que atingiram 3%, e ainda hoje a despeito do leilão de US$ 25,0 Bi destes papéis chegou a ultrapassar este nível de remuneração.

Afora isto questões comerciais e geopolíticas postas em confronto pelo Presidente Trump também colaboraram e muito para o aumento das tensões.

Este cenário em torno da economia americana catalisa fortemente o interesse dos investidores no mercado global e provoca o que se denomina “fly to Quality”, deslocamento para boa renda com menor risco, e esta pressão impactou nos preços das moedas, em especial dos países emergentes, por causar refluxo de capitais estrangeiros investidos nestes países.

No Brasil, que tem um mercado financeiro mais sofisticado, o movimento inicial não foi de saída de recursos estrangeiros aqui aplicados, mas de busca de proteção através a intensificação da demanda de “hedge cambial”, e assim, no primeiro momento, este movimento impacta no preço do dólar futuro que ganhou grande impulso altista, contaminando o preço da moeda americana no mercado a vista.

Então, no Brasil, pelo menos por enquanto, a elevação do preço do dólar ainda não decorre de intensificação da demanda no mercado a vista para saída dos recursos do país, mas sim pela busca de proteção para o risco da variação cambial mais intensa.

Isto está evidente nos números do fluxo cambial de abril que se revelou positivo em US$ 14,394 Bi, sendo US$ 7,638 Bi de origem comercial e US$ 6,756 Bi de origem financeira. Com isto, os bancos conseguiram reduzir suas posições vendidas (a descoberto) de US$ 20,574 Bi em março para US$ 6,337 Bi em abril, e ainda liquidaram com o BC o saldo das linhas de financiamentos com recompra no montante de US$ 2,0 Bi

A alta do dólar está absolutamente transparente que ocorre pela demanda de “hedge cambial”, e ainda não por saída de recursos do país.

Contudo, o cenário deixa em aberto a efetiva possibilidade que o movimento de saída ganhe intensidade a partir deste mês de forma gradual. Neste mês de maio há informes que apontam saldo negativo de investimentos estrangeiros na Bovespa de R$ 1,08 Bi, algo ainda discreto, mas que merece atenção.

O quadro prospectivo brasileiro sugere revisão de projeções e riscos. Há muitas dúvidas e incertezas quanto ao desempenho da economia, que perde o discreto ritmo de melhora que vinha apresentando, com desapontamentos na geração de empregos, renda e consumo. Há muitas incertezas em torno do quadro sucessório presidencial e uma desconfortável insegurança jurídica face às decisões controversas.

O contexto Brasil também tem o seu peso nas atitudes defensivas e de precaução que acabam adicionalmente impactando nas expectativas do mercado financeiro e nos seus ativos e decisões empresariais que contribuem para a perda de dinamismo da economia, até que haja melhor e confiável percepção sobre o futuro imediato.

Tudo leva a crer que entre este momento em que se busca proteção e as proximidades das eleições ocorra saída mais intensa de recursos externos do país, e então, o fluxo cambial poderá ficar negativo alguns meses.

Neste mesmo período acreditamos as projeções para o Brasil 2018 devam ser revistas, compatibilizando-as com a realidade do país.

Mas o Brasil não corre o risco como outros emergentes, como o caso da Argentina, de não ter suficiente liquidez em moeda estrangeira, muito pelo contrário tem uma posição de conforto com reservas da ordem de US$ 380,0 Bi, sendo que o passivo do governo está em torno de US$ 70,0 Bi e o passivo “intercompany” atinge US$ 230,0 Bi o que não é preocupante, e poderá fornecer linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra para o sistema bancário ter liquidez, mas não será conveniente que confronte a alta do preço da moeda americana fundamentada em tendência, pois criaria elevada volatilidade sem alcançar sucesso consolidado.

Há plena convicção de que o preço do dólar mudou de patamar e deve manter a tendência de alta até, pelo menos, as eleições e que a Bovespa tende a ter um ajuste com baixa.

E este será um dos pontos impactantes nas projeções de inflação para este ano, que deverão ser necessariamente revistas.

Entendemos que com esta mudança de perspectivas, o BC/COPOM não deveria reduzir mais a taxa SELIC.

Nossa projeção continua sendo de dólar a R$ 3,75 em agosto.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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