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Volatilidade. Viés de alta no dólar e queda no Ibovespa. Tendência simples assim!

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E para tanto não precisará nem de justificativa de fatores externos, que acabam por influenciar, mas não são a causa na essência, visto que o Brasil tem motivos e razões intensas para forte ajuste do preço dos ativos.

Aliás, nada dos problemas internos é coisa “efetivamente nova e imprevista”, nem o fato  dos políticos se sobreporem aos econômicos, conduzindo os preços dos ativos brasileiros, em especial,  pela maior visibilidade o preço do dólar e do Ibovespa.

Há razões e motivos que estavam amplamente perceptíveis quanto a viabilidade de ocorrência, que agora se confirmam, e que foram harmoniosamente orquestrados para o menosprezo como das suas importâncias.

O acirramento consequente da previsível condenação do ex-Presidente Lula, as perturbações sociais e a crescente incerteza quanto ao quadro eleitoral sucessório eram perspectivas que recomendavam maior sensatez por parte do mercado financeiro e seus agentes, que, contudo, teimosamente continuaram propagando um excessivo otimismo. Por outro lado houve um movimento de impulsão maior dos resultados da economia do que realmente ocorriam, e agora, tudo isto vem a baila e impacta e continuará impactando até as eleições, ou até mais, dependendo de quem seja eleito Presidente.

A dificuldade de montagem da peça orçamentária para 2019 que é atribuição deste governo era conhecida e a necessidade da quebra da regra de ouro, algo desgastante, já era tida como inevitável.

A economia que embora apresente discreta recuperação vai em ritmo aquém do esperado e propagado na onda de otimismo, acaba por não se tornar em legado considerável para este governo, que idealizou ou requentou a necessidade de reformas fundamentais, mas não as conseguiu viabilizar por falta de apoio político.

Afinal inflação mais baixa, dentro dos parâmetros ou até abaixo, SELIC em patamares impensáveis até pouco tempo, reforma trabalhista parcial, etc...,  não fortaleceram intenções de aumentos substantivos de investimentos produtivos, FBCF, e como consequência a geração expressiva de emprego tão necessário para o país que registra 13 milhões de desempregados, causando aumento de renda e consumo sustentáveis.

Há neste momento um tremendo imbróglio no campo político, com inúmeros pretensos candidatos,  mas sem que nenhum represente o novo que a população brasileira sinaliza desejar, o que a menos de 6 meses para as eleições ainda não se tenha quadros definidos na postulação das candidaturas e as que já se definiram apresentam baixa catalisação.

Então, este interregno entre abril e outubro deverá ser bastante nebuloso com inúmeros dúvidas e incertezas, forte acirramento político e mesmo no judiciário, e o foco sobre a economia deverá ser relegado a plano secundário.

Enfim, o que desejamos pontificar é que o Brasil tem por si só inúmeros fatores e vetores que fundamentam um movimento reversivo nos ativos do mercado financeiro, em especial os variáveis, e que pode determinar a retirada mais incisiva dos investidores especulativos estrangeiros.

Importante observar que o fluxo de ingressos financeiros líquidos, após janeiro positivo de US$ 5,527 Bi, registrou saídas líquidas em fevereiro de US$ 4,816 Bi; março US$ 10,472 Bi. Abril na primeira semana registra positivo US$ 1,219 Bi, mas a tendência é reverter ao longo do mês. Até 6 de abril o acumulado do ano está negativo em US$ 8,542 Bi.

Este volume de saídas tende a, doravante, se acentuar e pode até vir a superar o saldo líquido da balança comercial (exportações menos importações).

Evidentemente há mudanças expressivas no cenário externo como a tendência a agravamento de “guerra comercial”, juro americano em alta confrontando-se com a tendência brasileira de reduzir a taxa SELIC afetando a atratividade das operações de “carry trade” que fomentam os capitais especulativos externos, etc.... e agora o ataque à Síria, mas querer atribuir aos fatores externos os impactos no comportamento dos preços dos nossos ativos como fator principal, é naturalmente um sofisma, algo muito praticado no passado pelo ex-Ministro Guido Mantega.

A realidade é que o Brasil tem que ser olhado com visão mais crítica e reconhecermos que o ambiente de queda da inflação tem fatores decorrentes de menor pressão de demanda dada a queda de renda e consumo, ainda que se conteste que itens que sofrem maiores impactos possam estar sendo subavaliados na composição dos índices inflacionários.

Enfim, a volatilidade deverá estar presente de forma mais acentuada no dia a dia do mercado financeiro brasileiro, com viés de alta do preço do dólar e que do Ibovespa, e já se pode questionar se será factível uma nova queda da SELIC de forma sustentável.

Fatores externos têm até o momento servido para mascarar os problemas efetivos do Brasil, já que o mercado internacional, a despeito dos acontecimentos de impacto, ainda não afetou diretamente o grandioso nível de liquidez.

É preciso olhar mais os nossos problemas “intestinos” e dar-lhes a devida importância, pois neles estão os pontos relevantes que devem influenciar as decisões internas e que, efetivamente, influenciam o apetite externo pelo Brasil.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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