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Ibovespa e dólar: volátil e reversivo. Peso do cenário interno político-econômico

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É factível que passemos a observar um relativo descolamento da IBOVESPA do ambiente em torno do comportamento de Wall Street, e, com o preço da moeda americana sendo pressionado de forma mais intensa, requisitando uma intervenção mais explícita do Banco Central do Brasil, com novas ofertas de linha de financiamento com recompra e oferta de swaps cambiais novos.

Na medida em que os imbróglios em torno das eleições vão tendo seus acirramentos bem antecipados em relação ao esperado, o contexto político tende a sobrepor-se ao econômico que, embora não tão empolgante em sua dinâmica, estancou a tendência de piora e tem sinalizado melhoras de humor que acabam por proporcionar a sensação de que as pequenas conquistas sejam maiores do que a realidade.

Mas o fato real é que parou de piorar, porém há muitas projeções excessivamente otimistas, menosprezando os desafios presentes e em perspectiva de curto/médio prazo.

O país continua com severa crise fiscal, aliviada com o REFIS fato pontual, e, até equivocadamente, por vezes tendo atribuída a melhora ao “dinamismo” da economia, que tendo enorme massa de mão de obra desempregada, com sinais modestos de recuperação considerada a dimensão do problema, não consegue dar sustentabilidade a melhora de renda e de consumo, que pode estar sendo confundida com aumento de crédito para consumo.

E isto pode ser absolutamente verdadeiro, visto que o sistema financeiro vem elevando as taxas de juros do crédito apesar da tão discutida e enobrecida SELIC estar em queda, o que é um absoluto contraditório, sem que percamos de vista os níveis de custos ofertados aos demandadores de crédito, um absoluto disparate.

Já se vislumbra aumento no curtíssimo prazo da elevação da tensão em torno das disputas preliminares entre os pretensos candidatos à Presidência da República, sem que surja um nome dentro das características almejadas pela maioria da população, e à margem contribuindo para o acirramento das disputas ideológicas, ocorrerá um desmanche do Ministério do governo Temer, inclusive com a saída do Ministro da Fazenda, e, a continuidade interminável de abordagens em torno do ex-Presidente Lula, condenado mas que, segundo alguns juristas, pode protelar seus impedimentos até o ponto de poder figurar como candidato. Esta hipótese, considerada a “priori” como impossível, tem ganho posicionamento favorável.

O acirramento em torno das disputas do pleito eleitoral, dúvidas, incertezas, perspectivas dúbias e impossibilidade de se idealizar cenário prospectivo para 2019, devem levar o Brasil a revelar-se mais abertamente com seus efetivos problemas que vêm sendo relegados a plano secundário ao serem subjugados pelo estado eufórico fruto da contaminação do ambiente externo.

Então, o político deverá passar a preponderar sobre o econômico, que tende a resguardar-se com maior cautela dada a imprevisibilidade no curto/médio prazos.

O ambiente interno passará a ser observado com maior rigor, e a despeito dos dados recentes revelarem inflação em queda, discretíssima recuperação do emprego, tendência a até nova redução da SELIC, o ambiente tornando-se nefasto e imprevisível poderá determinar menor euforia e maior cautela, e isto poderá quebrar o ímpeto atual que é mais intenso na vontade do que na realidade.

No cenário externo, a guerra comercial dos Estados Unidos “com o mundo” deve preocupar, pois protecionismo nunca é saudável. E, embora venha sendo amenizada, a questão Estados Unidos-China ainda pode evoluir e tornar o confronto mais incisivo.

Para os Estados Unidos o protecionismo poderá acarretar perda de ímpeto no crescimento e pressões inflacionárias mais intensas. Este fato se concretizado poderia induzir o FED a aumentar mais o juro americano, indo além das expectativas.

Por outro lado, no Brasil o setor bancário, em especial, torce, por seus porta-vozes, para nova redução da SELIC.

O confronto juro americano em alta e juro brasileiro, pelo menos na SELIC, em queda poderá impactar na montagem de operações de “carry trade” na medida em que reduz margens, e é importante destacar que o capital especulativo forjado nestas operações que constituem a grande massa de recursos especulativos presentes no nosso mercado financeiro.

Considerando o ambiente conturbado pré-eleitoral com todas as mazelas presentes e a perspectiva de retração da presença de capitais especulativos no nosso mercado, a tendência presumível é de reversão na Bovespa e pressão sobre o preço do dólar.

Enfim, entendemos que o país entra num contexto em que seus problemas “intestinos” passem a prevalecer gradualmente, o que deve conduzir postura mais sensata e mais rigorosa por parte dos “players” em Bolsa e que tenham relação em seus negócios com o preço da moeda estrangeiro.

A rigor, vamos chegando a um momento em que é praticamente impossível apontar-se os resultados positivos no campo econômico, sem correlaciona-los com os impactos inevitáveis que sofrerão pelo ambiente político.

Os discursos tenderão a mudar gradualmente, por absoluta necessidade de intensificação da sensatez.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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