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Números da Bovespa sinalizam. Fluxo cambial confirma. Estrangeiros estão saindo!

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Em nossas colocações prospectivas já de algum tempo, vimos preconizando que o otimismo generalizado e exacerbado em torno da nossa Bovespa insinuava uma forte contaminação do estado de humor predominante no mercado internacional, como consequência de sua enorme liquidez e que, de forma acentuada, neutralizava a visão mais cética sobre a existência efetiva de fundamentos de suporte a toda euforia.

Quase que de forma contumaz chamamos a atenção para o quadro interno da economia brasileira ainda com dados de baixa sustentabilidade e grave crise fiscal e todo imbróglio em perspectiva no campo político, que acumula grande potencial desarticulador, visto que ainda não enseja que se vislumbre ambiente que permitisse formulação mais consistente de projeções, até pela fragilidade dos candidatos a candidatos a serem protagonistas na disputa presidencial.

Pois bem, de forma quase imperceptível e sem alardes por parte dos céticos olhares otimistas sobre o comportamento da Bovespa, que ensejam até projeções de atingir 100 a 110 mil pontos, os investidores estrangeiros, predominantemente especulativos, sinalizam que iniciaram de forma mais consistente a retirada do nosso mercado, o que acreditamos poderá se intensificar com a precipitação das disputas políticas que estão sendo antecipadas, e, também pela baixíssima expectativa de que o país consiga solução viável para sua severa crise fiscal.

Os números em moeda nacional apontam para a saída líquida de R$ 4,232 Bi em fevereiro e até o dia 14 deste mês mais R$ 3,044 Bi, algo como R$ 7,275 Bi em um mês e meio, equivalente a US$ 2,25 Bi. Isto na Bovespa, contudo quando se observa o fluxo cambial de fevereiro houve saída líquida financeira de US$ 4,816 Bi e em março até o dia 9 mais US$ 5,759 Bi, portanto em um mês de 28 dias e mais 9 dias de março saíram liquidamente do país no item financeiro US$ 10,575 Bi, o que não é pouco. Em janeiro o fluxo cambial havia sido líquido positivo de US$ 5,527 Bi o que amortece um pouco e o fluxo líquido financeiro esteja no ano até 9 deste mês em US$ 5,048 Bi negativos, suportados pelo saldo líquido comercial de US$ 7,929 Bi, provocando ainda um saldo positivo no ano de US$ 2,881 Bi, que tende a se exaurir.

Estes dados são numéricos, portanto isentos de qualquer interpretação além de si mesmos, já que números são frios e não tem amigos.

É preciso estar atento para esta sinalização que pode se avolumar e levar a BOVESPA a um efetivo “sell off”, contrariando a maioria das projeções, e provocando impacto no mercado de câmbio, mais especificamente no preço do dólar, que poderá exigir do BC para mascarar o preço, assim evitando sua alta real e justa, visando proteger os impactos inflacionários decorrentes, ação mais contundente com venda de novos swaps e leilões de linhas de financiamentos com recompra.

Até o dia 9 os bancos registravam posições “vendidas” (a descoberto) de US$ 20,313 Bi e tomada de linhas de financiamentos com recompra do BC de mais US$ 3,5 Bi.

E note, isto nada tem a ver ainda com a denominada “guerra comercial” que é algo recentíssimo e que pode impactar na nossa balança comercial com repercussões mais adiante, pois podemos ser vitimados pelas tarifas sobre aço e alumínio e embora grandes exportadores, não somos protagonistas neste embate, por sermos emergentes.

A tentativa de atribuir a este embate as causas dos movimentos na BOVESPA e no preço do dólar é um álibi insustentável, já que as causas efetivas são as questões internas não resolvidas na área econômica e cada vez mais nebulosa na área política, que passaram a merecer melhor atenção, em especial pelos estrangeiros.

Há sinais que devem passar a merecer maior atenção.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br), espécie de sinalizador do PIB, recuou 0,56% em janeiro com o mês anterior.

O Boletim FOCUS que divulga as medianas das projeções de 100 instituições financeiras sinalizou revisão para o PIB reduzindo-o de 2,87% para 2,83%.

O IGP-M acelerou a alta a 0,59% na segunda prévia de março, após variação positiva de 0,03% no mesmo período do mês anterior, face à forte alta em alimentos in natura no atacado, e se o dólar subir impactará no preço dos alimentos da nossa pauta exportadora de forma objetiva.

E, por fim, ainda prevalece no mercado a aposta de que o BC reduzirá a taxa SELIC para 6,50%, porém entendemos que esta nova redução poderá ser temerária, até porque em nada tem contribuído para a redução do custo do crédito e embora continue uma visão benigna sobre a inflação, agora em torno de 3,63% como previsão para o final do ano, há um cenário prospectivo bastante incerto à frente.

A tendência detectada de saída dos investidores estrangeiros, com ênfase aos especuladores, da BOVESPA e, também, da renda fixa, com intensificação do déficit do fluxo cambial líquido financeiro, deve pressionar a formação do preço do dólar.

Há muitas razões e motivos para postura de maior precaução considerando os riscos internos brasileiros, quer econômicos, quer políticos, mas ainda poderá haver fatores externos também contundentes impactando nos países emergentes.

Enfim, o momento tende a tornar imperativa uma nova postura de cautela por parte dos investidores.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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