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Volatilidade deve perdurar e criar viés de baixa no Brasil. Há razões adicionais

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Poderá ser gradual visto ser conveniente que não seja precipitado um “sell off” focando realização de lucros, até porque cada mercado de per si ao largo do mundo tem razões próprias, embora haja reconhecidamente uma supremacia do comportamento de Wall Street.

O mundo vive momento tenso, embora com os mercados principais como americano, europeu e japonês em franca recuperação de suas economias, porém sabidamente alavancados com a exuberante liquidez predominante a partir de ações dos seus bancos centrais adotaram visando o que se presencia atualmente como consequência.

A tensão maior no momento advém das manifestações do Presidente americano incitando o início de uma guerra comercial, que acaba por ensejar embates onde normalmente não há vencedores e atingem de forma mais contundentes aos países emergentes, normalmente com acentuados perfis de exportadores agrícolas, o que restringe a zero suas capacidades de retaliações, visto que os preços de suas commodities são formados nas bolsas internacionais, subjugadas as interferências das multinacionais.

Esta postura pode desorganizar as relações do comércio internacional e provocar em consequência uma guerra cambial, e então gerar uma baderna generalizada. Por enquanto, há expectativa de que os confrontamentos possam ser atenuados, mas o Presidente americano é imprevisível, o que cria inquietação.

Por outro lado, são crescentes as sinalizações de a economia americana ensejar elevações de juros por parte do FED, já que o número de empregos tem surpreendido e já se identificam pressões inflacionárias.

A economia europeia, também,  emite sinais de crescimento, e, como salientou o comissário europeu de Assuntos Financeiros, a Europa quer evitar a guerra comercial, mas destacou que tem “um arsenal” de contramedidas para responder as tarifas de Trump.

Por outro lado, o BCE emitiu importante sinalização de que está próximo o fim dos estímulos, pois retirou o viés de afrouxamento. Garantiu, entretanto,  que a de compras de ativos no ritmo atual de 30 mm de euros continuará até setembro próximo.

O Brasil, como país emergente beneficiário do “status quo” do mercado global tem alavancado o desempenho do seu mercado financeiro interno com discretos sinais de recuperação não sustentáveis de sua economia e massivamente com os recursos especulativos externos, forjados em operações de “carry trade” estrategicamente montadas para obter rentabilidade no país, porém fica muito à mercê das mutações do ambiente externo.

Redução da taxa SELIC local pode afetar a montagem destas operações com a coincidência de elevação do juro nos Estados Unidos.

Além disto, o país ingressa num período em que as perturbações no campo político, decorrentes de um ambiente extremamente incerto e sem candidatos que demonstrem viabilidade e competência,  tendo ainda que conviver com a “sombra” da candidatura do ex-Presidente Lula, até agora inviabilizada por condenação.

Afora isto, convive com severa crise fiscal que não revela tendência alguma de superação, muito pelo contrário, com sinais de agravamento contínuo, e que já revela grande desconforto para a formulação do orçamento para o exercício de 2019, que deve estar pronto em torno do mês de agosto, sem que seja quebrada a “regra de ouro”, que pode ser mais agravada face a manifestação do BNDES de que não terá condições de devolver recursos para o Tesouro, sem tê-lo feito inclusive o comprometido R$130,0 Bi deste ano, e que pode acentuar o rigor das agências de rating, que já colocaram o país 3 graus abaixo do conceito de investimento.

Enfim, o país “respira” e muitos entendem que está “vivo”, mas está contaminado por severos males que comprometem suas perspectivas e isto, em algum momento, pode cumulativamente ser percebido e da volatilidade passar ao viés de baixa mais acentuada na Bovespa e apreciação do preço do dólar.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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