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Volatilidade é tendência. Há causas externas e internas!

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Embora o Boletim FOCUS ainda reproduza perspectivas de “céu de brigadeiro” e as projeções continuem otimistas por parte dos analistas, é perceptível que o cenário global está mudando e muito rápido, e que, inquestionavelmente o contexto interno do país passe a repercutir de forma mais perceptível preocupações, nem sempre expostas de forma compatível com os sentimentos, acerca das eleições presidenciais em perspectivas com um cenário extremamente nebuloso, e com o país numa dramática crise fiscal que não permite se vislumbrar como construir o orçamento de 2019.

Trump agregou com a iniciativa de guerra comercial um fator que pode determinar retaliações generalizadas, mas o poderio dos Estados Unidos é expressivo e pode vitimar mais intensamente os países emergentes por ser a parte mais fraca neste enfrentamento. Afora isto, há um gradual aumento da percepção de que o crescimento da economia americana acarretará, aliás como já está provocando, dúvidas sobre efetivos impactos, seja pela elevação do juro, que já desnorteia o mercado de T-Bonds e confunde até os mais experientes, seja pela retração da enorme liquidez ainda predominante no mercado global mas que deve sofrer retração gradativa.

O presidente americano não parece ser um dirigente dotado de conhecimento dos princípios de economia internacional, e assim detonando um confrontamento  comercial pode determinar uma guerra cambial e assim a desordem avançar de forma rápida pelo cenário global.

A economia da zona do euro deu sinais de perda de força em fevereiro, mas continua robusta e a China tem um poderio imenso neste jogo de força. Sobrará a parte maior dos destemperos do governante americano para os países emergentes, entre os quais o Brasil.

O Brasil é grande produtor de commodities, porém os preços são formados em Bolsas e por lá temos pouca influência, ou seja,  produzimos mas não somos os formadores dos preços e num ambiente de disputa comercial pouco poderemos influenciar, até porque não temos nem como estocar nossa produção como instrumento de afetar a formação de preços.

O cenário externo que impulsionou este ambiente de otimismo no Brasil, até confundindo os fundamentos sobre o mérito se interno ou externo, tende a ficar conturbado e as medidas tributárias e comerciais americanas poderão provocar impactos marcantes na nossa dinâmica.

Embora altamente desejável, seria ilusório imaginarmos que não haverá uma forte contaminação do “ambiente político” no “ambiente econômico”, já que indefinições devem ser predominantes e isto conduz os investidores a postura previdente por precaução e no caso dos recursos estrangeiros aqui lotados, em sua grande parte especulativos, pode ocorrer um refluxo considerável.

Há quem diga que o mercado tem o anseio de realizar os lucros, por isso a volatilidade que deve prevalecer, mas está buscando uma justificativa para a mudança de postura.

Demonstra a fragilidade dos movimentos altistas na Bovespa e de inconsistência do preço do dólar baixo quando há qualquer sinal mais agudo por parte do FED americano e do mercado de juro e bursático americano, mas parece temer que um movimento “sell off” seja detonado, por isso fica mutante, volátil.

Mas agora as causas parecem se ampliar com um cenário propenso a agravar a guerra comercial detonada por Trump, e que pode se ampliar, e em perspectiva uma eventual guerra cambial.

Este risco de desordenação mais abrupta pode determinar movimentos defensivos que naturalmente passarão pelos ativos de preços variáveis.

Então para o Brasil, em especial, há riscos crescentes de origem externa que podem impactar forte por aqui, mas há também riscos com incertezas e dúvidas quanto a superação da crise fiscal e sobre as perspectivas na área política, determinantes para a formação de cenários prospectivos para 2019, e atualmente absolutamente incertos.

E pode se agravar, pois cresce o sentimento de que o STF poderá mudar seu entendimento sobre a condenação em 2ª instância e não consumar os fatos previstos em torno do ex-Presidente Lula, agregando mais incertezas ainda a questão sucessória.

Enfim, nosso sentimento é de que a volatilidade será persistente, embora cercada de análises e projeções que menosprezam os riscos externos e internos presentes, e que já estivemos mais distantes de um movimento reversivo na Bovespa e no preço do dólar, a despeito da intervenção sistemática do BC neste mercado, pois o contexto geral está tendente a mudanças e agregando fatos novos negativos.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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