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PIB trouxe discreto alento, mas não se pode contar com “céu de brigadeiro” em 2018!!!

Inicialmente, devemos destacar que merece consideração o fato da revisão do PIB do 2º trimestre ter tido a relevante revisão de 0,2% para 0,7% e não ter havido tantas análises retrospectivas quanto sobre o avanço discreto de 0,1% no 3º trimestre.

O PIB recém-divulgado, a despeito de pouco expressivo e abaixo das expectativas, trouxe alguns indicativos relevantes em torno do crédito e consumo das famílias, indústria e serviços e desapontamento quanto ao agronegócio. Inegavelmente a queda da inflação, ainda que considerada elevada para o “sentimento” no entorno, e a queda do juro contribuíram também para estes pontos positivos.

A taxa de desemprego segundo dados da semana passada recuou um pouco, talvez em decorrência do período pré-natalino, mas ainda há uma massa de 12,7 milhões de pessoas desempregadas, o que é um número demasiadamente alto.

O conjunto da obra promoveu o incremento da massa de rendimentos reais em torno de 4,0% no acumulado do ano até outubro. Há efetivamente uma demanda reprimida, mas há ainda um relevante montante de inadimplência que tem sido persistente e é preocupante toda vez que certa folga no crédito é verificada.

O consumo das famílias foi o carro chefe, mas não conseguiu impactar na indústria e serviços com intensidade. A indústria cresceu 0,8% no 3º trimestre, mas está ainda em torno de 18% abaixo do nível de 2013.

Há evidentemente uma capacidade ociosa relevante no setor produtivo nacional e isto é, por enquanto, um amortecedor para a inflação, mas retarda investimentos. A despeito disto, a FBCF cresceu 1,6% no período, mas ainda é pouco, pois no ano aponta ainda recuo de 3,6%.

Com o dólar muito baixo, fora de ponto, como estratégia de pressionar a baixa da inflação, principalmente nos preços dos alimentos, há o risco de aumento da importação danosa de bens de consumo concorrentes da indústria nacional. Nesta fase do ano, os efeitos sobre os preços dos alimentos perde eficácia, e passam a preponderar os substantivos reajustes de energia, gás, combustíveis, etc... que devem impactar na inflação.

Por isso, entendemos que há um cenário adiante que poderá comprometer a meta de inflação de 4,5% e a continuidade da queda da SELIC abaixo de 7% em 2018.

Não podemos desconsiderar o fato que 2018 é ano eleitoral e não se vê um ambiente tranquilo em torno das eleições presidenciais, o que pode continuar fazendo da política elemento muito perturbador à economia.

E, neste ano de 2017 ainda temos um ambiente em torno da vital reforma da Previdência muito conturbado. Após admitir que não tem apoio suficiente para aprová-la na Câmara, após um jantar com políticos, ressurge buscando dar um “choque de otimismo” alegando que tem o apoio de 350 parlamentares quando precisa tão somente de 308.

Se o governo não conseguir aprovação da reforma da Previdência os problemas surgirão de imediato, podendo haver forte reversão do otimismo presente dada a relevância da crise fiscal, já havendo agência de rating antecipando que poderá cortar o rating do Brasil.

Será natural que o IPCA passe a revelar intensificação moderada da inflação em 2018, já com sinais ao final deste ano, e não será tão tranquilo para o BC reduzir o juro SELIC.

O clima eleitoral poderá ser bastante desestabilizador e criar tensões que podem precipitar movimentos defensivos dos investidores, o que implicaria em desfazer posições na Bovespa e deslocamento para aplicações dolarizadas, sendo que os investidores estrangeiros demandariam no mercado de câmbio efetivamente para a saída dos seus recursos.

O ambiente político para 2018 nos parece ainda pouco considerado quando se formulam projeções para o desempenho da economia brasileira, pois pode impactar fortemente.

Não vemos “céu de Brigadeiro” para 2018, mas muito acirramento político com elevado impacto na economia.

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